quinta-feira, 28 de junho de 2018

OMD200(160+40)

Seia, de 8 a 10 de junho de 2018

Eu queria fazer o relato daquelas horas todas, para memória futura, mas o tempo tem sido escasso. A maior parte dos 175 quilómetros e a maior parte das mais de 37h para percorrer os percurso pela Serra da Estrela e do Açor foram divertidos. 

Num resumo resumido posso dizer que até Loriga a coisa foi como o planeado e muito agradável, depois de Loriga e com a não subida à Torre e consequente não passagem nos trilhos do lado da Serra que melhor conheço, o psicológico cedeu um pouco e começou a não ser tão agradável, com a passagem pela meta e ainda a faltarem 42 km bem medidos a coisa deixou de ter a diversão habitual e arrastei-me até ao final só para não desistir. A tribo cá de casa foi com a intenção de me ver na passagem pela meta, para me darem forças porque perceberam a dureza psicológica de passar pela meta sem ser no final da prova, mas houve alguns problemas e atrasaram-se muito e eu tive que sair para a "voltinha" final porque já estava a ficar com muito frio e a tremer, não fosse dar-se o caso de a força que eles me dariam ficar perdida numa hipotermia. Apesar do contratempo puderam dar-me a força já a caminho de Vila Verde, depois de seguirem a ambulância😃😄😉.

O trilho da "voltinha" era desenxabido, pouco tinha de Serra e para piorar as coisas, estava muito mal marcado. Com a segunda noite e a privação de sono chegaram algumas alucinações, houve duas mais marcantes que agora guardo na memória com ternura. Uma foi a Ana que apareceu no meio do percurso, à minha espera com um sorriso enorme. Tive de me aproximar, apontar bem o frontal e recorrer à lanterna de mão para perceber que era uma rocha. Tinha-a muitas vezes do outro lado do telefone e certamente colada ao computador com a Camila a seguirem-me pelo "track" gps que levava. Uma vez ligou a dizer-me que estava fora do trilho, mas só estava a abastecer na base de Vila Verde. Achei por bem não lhe dizer logo das alucinações. A outra alucinação, a minha filha Maria, deitada a dormir junto ao trilho, como quem foi vencida pelo sono e pelo cansaço de estar à minha espera, luzes apontadas para perceber que eram alguns ramos secos. Houve mais alucinações, a Camila também foi aparecendo, o Leonardo, o Rosty, e mesmo a Ana e a Maria apareceram ainda um par de vezes, mas aquelas duas foram as mais convincentes de uma estranha, estranhíssima realidade.

Cheguei à meta e a minha preocupação foi de ir dormir, que o fiz numa das marquesas de massagens que ali estavam, enquanto esperava a boleia para casa. Antes, ainda pude agradecer ao Pedro Guimarães as tácticas dadas durante a prova.

No geral gostei, teria sido melhor com mais treino e se fosse o percurso com a subida à Torre.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Interrogações


"Porque nenhuma vitória se ganha se se não puder perder. "
Vergílio Ferreira

Daqui a um mês estarei em plena prova, espero eu. Chega o tempo de começar a preparar a prova a outros níveis: psicológico, hidratação, alimentação, reabastecimentos, equipamentos... e há umas grandes dúvidas e grandes interrogações.


Que calçado utilizar?
A ver se as Hi-Tec Badwater Trail Running Shoes chegam a tempo e se me adapto a elas.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Faltam 5 semanas

Os treinos têm sido os possíveis. Claro que gostaria de poder treinar mais, mas são as condições que tenho, que já sabiam que eram assim.
Entretanto, no dia 14 de abril, participei nos Ultra Trilhos da Gardunha, com 50km e 2800m de desnível positivo, como se fosse mais um treino. A coisa não me correu mal, mas também não correu bem... Julguei poder concluir a prova com menos tempo do que o que fiz (9h48m), mas apesar de ter falhado na previsão do tempo final, senti-me bem e forte (mentalmente) mesmo depois de ter dado um estoiro (antes do km 35) que se ouviu em toda a cova da beira.
No dia 25 de abril participei na VI Meia Maratona Alcains-C.Branco e terminei a prova com o tempo de 01h57m36s. Pensei também conseguir terminar a prova com menos tempo, ai uns 10 minutos, mesmo indo a empurrar um "stroller" com a Maria. Apesar de falhar novamente o tempo, gostei das sensações da prova e atribuo a falha da previsão ao sentir as pernas pesadas e cansadas, provavelmente ainda dos 50 kms da Gardunha, e ao tempo soalheiro e quente que se fez sentir naquele dia.
No dia 1 de maio participei na Corrida do 1º de Maio. Uma corrida rápida de 8,5 km, que fiz em 38m.
Agora é continuar a treinar até ao treino longo no dia 19 de maio, vão ser mais 49 Km com 2500m de desnível positivo na prova EGT® Orion Belt. Depois entro na fase de abrandamento para os tais 160k+.
O mais difícil dos 160k+ será acabar dentro do tempo limite.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Faltam 10 semanas

“It’s all to do with the training: you can do a lot if you’re properly trained.”
– Queen Elizabeth II

Os treinos não andam a correr da melhor forma. Assim fico com a sensação de não chegar lá, não haver tempo para chegar lá.
Mas ainda há tempo para corrigir isso. Vamos lá.

Todo o fim é contemporâneo de todo o princípio; só a nossos olhos vem depois. - Agostinho da Silva - Frases

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Agora é que é a sério!

O plano era conseguir ter uma boa base de treino até março para depois entrar nas últimas 12 semanas de preparação específica e conseguir apresentar-me na partida dos 160k+ nas melhores condições. Não está a correr bem, as últimas duas semanas foram muito más, mas vamos reformular e não desanimar com as contrariedades. A idade começa a não ajudar muito e a disponibilidade não é a melhor, mas tenho a confiança que a preparação vai melhorar e agora entrar no planeado.
O plano gizado foi simples: de novembro e até março a ideia era criar uma boa base de treino semanal, aumentar o tempo de treino e de corrida e ver como conseguia adaptar a vida para conseguir correr umas 4 vezes por semana. Depois em março, começar um treino mais específico para os grandes dias (não é grande dia porque certamente que vou demorar quase dois dias a fazer os 160k). Aumentar o desnível, o que não é difícil para quem vive na Covilhã, fazer uns treinos longos em montanha e conseguir juntar um treino de séries a cada 15 dias.
Consegui correr pelo menos três vezes na maioria das semanas, aumentei a resistência e sinto-me bem fisicamente, tirando a dor da ferida no joelho da queda no free trail do Folgosinho. Agora é continuar a correr, estas duas semanas foram para ganhar balanço...

O free trail do Folgosinho fez-me pensar um pouco. Corri descontraidamente e muito à-vontade nas descidas (excepto a última) e nas partes a direito. A subir estava lento, talvez lento demais, com as costas a queixarem-se da falta de treino abdominal. Tomei nota mental para não descurar esse reforço muscular. Na última descida aconteceu o tralho. Fiquei no chão com uma cãibra na perna esquerda e com o joelho a faltar-lhe um bom pedaço de pele. Depois levantei-me e tive vómitos, fiz rapidamente uma repetição mental da queda e certifiquei-me que não tinha batido com a cabeça. Recompus-me e voltei à corrida trilho abaixo. Trilho com muita lama, não demorou muito para escorregar, e quase cair novamente. Foi suficiente para perceber que o divertimento de descer rapidamente por aquele single trail tinha que acabar. Até à meta descontraidamente. Não estava à espera da "sova" que levei. As dores musculares nos seguintes dias não eram poucas, e foi isso que me fez pensar: se em pouco mais de 22 quilómetros fico assim, não chego aos 160. Relativizei: o frio do dia, o ter estado doente a semana anterior, pouco descanso na semana anterior e no dia, tudo contribuiu para isso, mas tomei a nota mental:
33 expressões

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A ver se lá chego!

OMD200(160+40)

Data: 08/06/2018
Local de Partida: Em frente a Câmara de Seia
Horário de Partida: 16 horas
Horário Final: 12 horas do dia 10 de junho
Tempo Limite de Prova: 44 horas
1338RicardoBaptistaIndividualPOR





domingo, 23 de julho de 2017

(2) OMD K70+

O dia da prova começou cedo. A noite foi curta e mal dormida. Já não me lembro muito bem como sai de casa, mas lembro que estive a preparar e a rever a preparação do equipamento até tarde. Aquele nervoso miudinho a comandar. Sabia a dada altura que os atletas do K160+ já andavam pela serra e os do K100+ estariam a sair. Eu preparei a mochila e os alimentos. Preparei também uma possibilidade de abastecimento para a Torre. As horas iam passando e o descanso a ser adiado. Quando finalmente cheguei à cama o sono não quis nada comigo. Mas lá me deixei dormir e lá acordei ao som do despertador, que raramente uso.
A viagem para Seia correu bem, pelo caminho um telefonema de casa: já tinham acordado e estavam a chamar por mim. É uma sensação inexprimível, fantástica. Lembrei-me também que não tinha posto a manta de sobrevivência na mochila e que fazia parte do equipamento obrigatório. Chegamos folgados no tempo para ainda ir beber um café. Depois os últimos preparativos: levantar dorsais, besuntar com protector solar, ajustar o equipamento porque a corrida vai começar.
Já na zona da partida, a poucos segundos de começar, uma pausa no tempo para chamar e cumprimentar o Gomes. Já não o via há 20 anos. Reconheci-o logo. Ele demorou um pouco a reconhecer-me.

Partimos pela hora prevista, os primeiros quilómetros são para aquecer.

Um abastecimento cedo, muito bom, inopinado e não oficial, oferecido pela Casas do Pastor, na Póvoa Velha. Tive oportunidade de beber um café e de comer uns bolinhos e de conversar com aquelas pessoas muito simpáticas e hospitaleiras e de ouvir o Hugo a pedir para me despachar que ainda faltava bastantes quilómetros. Eu ficava ali mais uns tempos mas tive que me pôr ao caminho que era de longe.

Nesta parte do percurso uma nota para o Hugo sobre a resistência mental (eu às vezes penso que percebo muito disto e mando bitatites), isto devido ao comentário de um companheiro que "estava a poupar as forças para as subidas finais": é muito perigoso pensar assim! Neste momento e apesar de ainda estar fresco, não vou a poupar nada, vou a fazer a minha corrida, vou no meu máximo, só não estou na frente da corrida porque efectivamente não tenho "pedalada" para acompanhar os tipos que nos primeiros 100 metros dão logo 500 de avanço. Pensar assim, na poupança das forças, é a maneira mais rápida que um tipo tem de desistir desta prova. Parecendo que não este companheiro já levava uns 50 kms na "cabeça", apesar de levar só uma meia dúzia nas "pernas". Há quem diga que fazer ultras é 10% físico e 90% mental, encontro esta relação de percentagem em muitos casos do desporto, não acredito nesta relação mas o certo é que quando a "cabeça" não quer as "pernas" não dão nem mais um passo...

E lá fomos avançando, pacito a pacito, até ao Sabugueiro e depois do Sabugueiro até ao Vale do Rossim. Sempre dentro do tempo previsto e sem dificuldades acrescidas. Agora é que se ia iniciar a verdadeira prova. Vale do Rossim - Torre seria a primeira grande dificuldade do dia. O calor já me vinha a atormentar quase desde a partida, mas esta é a altura do dia mais quente. Para complicar vamos passar uma zona que não tem sombras, durante bastante tempo não vamos ter abastecimentos, isto quer dizer que os cerca de litro e meio de líquidos que eu levo tem de durar para umas boas horas. Serão uns 17 km e cerca de 933 m de desnível positivo, mais 473 m de desnível negativo. Somando o calor, a altitude e o sol a queimar, estão reunidas as condições para a coisa correr mal. O incentivo seria chegar à Torre e ter uma grande equipa de apoio à espera.

Apesar da dificuldade esperada que foi fazer esta travessia, esta zona é de elevada beleza. Nós passamos pelo curral do Martins e descemos à Nave da Mestra pela fenda da rocha. Este local pede sempre um descanso, um abrir de farnel e comer sem restrições dietéticas. Mas claro, a ocasião não era propícia a isso. Tudo o que fiz foi refrescar-me na ribeira cristalina que lá passa.
Deixo aqui um bom trilho para se passar um excelente dia com amigos, além do Curral do Martins e da Nave da Mestra ainda se passa pela famosa Lagoa dos Conchos, este trilho começa e acaba na Lagoa Comprida. Para que não haja surpresas desagradáveis é sempre bom consultar o tempo aqui no Vitor Baia Meteo e acreditar no que lá está escrito.

Como esperava, fiquei sem água, mas  lá consegui chegar à Torre sem grande sofrimento. Na Torre esperava a melhor equipa de apoio do mundo e arredores, com beijos e abraços e uma felicidade tão grande de me verem que me senti o Rei daquelas terras. Também tinham pepsi fresca, piza, aletria e mais coisas boas que comi com muita satisfação, após ter ido "dar" o número ao controlo no posto da GNR.

(Cont.)

domingo, 16 de julho de 2017

(1) OMD K70+

A pedido, aqui fica o registo da minha participação na prova K70+ do Oh Meu Deus 2017.

A minha presença na prova foi oferecida pelo Hugo. Ele queria ir à prova de 40km, e eu incentivei a ir logo à de 70km. Ele inscreveu-se e a organização ofereceu-lhe um voucher para mais uma inscrição que me deu a mim. Não queria que eu me ficasse a rir do sofrimento dele...

Preparei a prova o melhor possível, que na verdade foi muito mau. Sem muito tempo para corridas, nem treinos, programei um plano com corrida duas vezes por semana e mesmo assim não segui o plano de treino. 

Estudei bem a prova e fiz um plano para a abordar da melhor maneira com a preparação que eu sabia que tinha. Ao fim de tantas décadas de corrida, já percebo bem os sinais que o meu corpo dá e consigo adaptar-me a isso. O Hugo era a primeira vez que se aventurava numa distância tão grande e por isso partilhei o plano com ele.

Foram três dificuldades maiores, que eu conseguia identificar à partida, que íamos passar ao longo da prova. 
* A primeira grande dificuldade seria do Vale do Rossim até à Torre onde calor, a distância entre PAC's e o desnível positivo que íamos apanhar a uma altitude já considerável iriam fazer mossa. Assim teríamos de ter bastante atenção às reservas de água e alimentos (sal, isostar, géis), não podíamos sair do PAC do Vale do Rossim sem estar bem abastecidos, para além disso, nesse PAC só existiam abastecimentos líquidos. 
* A segunda grande dificuldade seria de Loriga até à Lapa dos Dinheiros, onde continuaria o calor, íamos apanhar de novo grande desnível positivo além do cansaço acumulado e de alguma dificuldade em comer que a esta altura da prova podia aparecer. Teríamos de ter, novamente, muita atenção às reservas de água e alimentos que levávamos connosco mas também ao ingerido, era crucial sairmos de Loriga bem alimentados e hidratados, com todo o equipamento bem ajustado e, caso houvesse feridas (bolhas nos pés ou outras que podiam aparecer de alguma queda, por exemplo) teriam de estar bem tratadas.
* Outra grande dificuldade, que seria transversal a toda a prova, era o calor: a previsão era de um dia muito quente com um sol radiante, previsão que se veio a verificar correta, num dia assim a hidratação e a reposição dos níveis de sal e potássio torna-se muito importante. 
* Poderia haver ainda uma outra dificuldade acrescida da Lapa dos Dinheiros até Seia, esta parte do percurso apresentava algum desnível positivo que somado com o cansaço acumulado podiam solicitar algumas complicações mais a nível mental: é a situação de já faltar pouco, mas por outro lado, "esta merda nunca mais acaba". Seriam 10km "na raça", a esta altura já dói tudo, desde a ponta da unha do pé grande até à ponta do cabelo. A solução é seguir em frente, já que chegamos aqui, chegamos também à meta. 

(Cont.)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Pronto para o próximo desafio!

Ontem fiz o último treino da fase de recuperação. Passadas três semanas do K70+ estou pronto para o próximo desafio: 42.
Vai ser épico!

sábado, 4 de março de 2017

Já vou correndo qualquer coisinha

Ao poucos regresso à corrida como quem regressa a um lugar mágico. O sorriso que levo é cheio de felicidade, que dirão as pessoas ao verem-me correr com aquele sorriso parvo estampado na cara?
«Se algum dia alguém deixasse de me achar ridículo, eu entristecia ao conhecer-me, por esse sinal objectivo, em decadência mental.» Fernando Pessoa 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Qual é o objectivo de correr?

A long time ago in a galaxy far far away eu perguntei e respondi num certo maratona: Qual é o objectivo de correr? Nenhum, apenas quero continuar a correr. Não tenho outra finalidade além da de continuar a correr enquanto puder. Corro para viver. Não posso viver de outra maneira.
Agora chega a hora de analisar a dita pergunta e a resposta plural. E chega a hora porque o correr é muito pouco e o viver é de outra maneira, mais intenso. O querer continua com a mesma força, a intensidade da vida é que se alterou e o dia continua com 24 horas. 
A corrida estava a correr com o sono, havia duas hipóteses: ou não corria, ou não dormia. No princípio optei pela segunda, mas o facto de não dormir tinha outras repercussões: a presença não era total. Perdia eu. Cheguei à conclusão que após uma certa idade, dormir é obrigatório! A corrida ficou para trás: perdia eu? Nada! Faz-me falta, claro que faz, quero continuar a correr, claro que quero, mas a presença na vida, na minha e em outras, enche-me a alma.
Interessante: ao estar presente em outras vidas a minha presença na minha própria vida tem-se revelado mais presente. É isso. Eu estou-me mais presente, assim como um presente que dou todos os dias a mim mesmo. Uns sorrisos que se guardam no coração.
Mas como posso continuar a correr sem deixar de dormir?
Tenho que arranjar uma coisa destas:

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

VAMOS LÁ ENTÂO

Tenho medo de estar a fazer as coisas de maneira errada, de não dar a devida atenção aos pormenores, não estar completamente presente nos dias. Porque é tudo uma questão do dia, o que conta é o dia e a soma desses dias é que faz com que as dificuldades sejam ultrapassadas. Não há dias para passar tempo, todos os dias contam. Mais à frente olhamos para trás e percebemos que já passaram: no somatório vamos adorar todos os dias passados, no pormenor saberemos que houve dias bastante difíceis. O limite é sempre esse dia, o objectivo é preenchê-lo com presença, com existência, com vivência, com Dasein.

Nestes últimos meses têm sido difícil incluir a corrida na soma dos dias. Tenho que planear melhor as actividades extra, para lá conseguir encaixar a corrida. Posso viver sem corrida, mas não é a mesma coisa.

Hoje chegou a tão aguardada mochila: Mountain Runner Comp.

sábado, 31 de outubro de 2015

QUARENTA

Tenho a consciência que preparei a corrida bem. Apesar de ter ficado doente as duas últimas  semanas, sentia-me bem nos dias antecedentes à grande corrida. Mas a "coisa" não correu tão bem como o previsto, ou seja, não foi fácil. Apesar de tudo fiz os 40 quilómetros que se impunham (e mais um pouco, na verdade corri a distância da maratona).

Este é o meio-dia da vida, quando o sol toca o seu ponto mais alto no céu. Olhando para trás e fazendo um balanço de vida: foi o melhor ano de sempre, concretizei sonhos que já tinham passado e passei metas que só pensava atingir muito mais tarde na vida. Sinto-me melhor que nunca. Sem falta de humildade: sou melhor pessoa, mais homem, mais humano, mais ser. As mundivivências (mesmo assim: mundivivências) que me vão metamorfoseando e melhorando não são experienciadas sozinhas, antes saboreadas a par, o que permite que o pluck transformador penetra a alma ainda mais fundo. Mas não posso descansar à sombra daquilo que agora sou. A gente vai continuar. Afasto qualquer arrogância que possa ter-se apoderado de mim e sigo viagem: este será o melhor ano de sempre.

Parti por volta do meio-dia. Faz sentido. As pernas indicaram-me logo que as coisas não estavam muito bem. 30 kms, três semanas antes, tinham sido muito mais fáceis de fazer, apesar do treino ter sido na serra e o desnível positivo acumulado ter passado seguramente os 1000 m, foram mais rápidos. O saldo final da corrida foi 1h15m de atraso em relação ao tempo que tinha previsto fazer tudo nas calmas. Não tinha nenhum problema com o tempo, por mim se não pudesse ser em 4 horas, seria feito em 6, o que me preocupava era a Ana, a Camila e o Leonardo (a minha "support team") que estariam atrasados para uma outra actividade. Afinal a outra actividade era a minha festa de anos, toda a gente sabia da festa menos eu...

Adorei, mesmo os quilómetros mais difíceis, onde até fui atacado por cães. Foi brutal.




A Gente Vai Continuar
Jorge Palma
  
Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

459

sábado, 24 de outubro de 2015

40 VAMOS LÁ?

Daqui a 24 horas (mais coisa menos coisa) partirei para esta aventura com o nome de código RA459. A ideia é simples: efectuar o número de quilómetros pelo número de anos que completo.

Nas últimas duas semanas os treinos não correram como o pretendido, uma constipação seguida de sinusite obrigou a uma paragem.
Mas estou confiante. Domingo correrei por mais um quilómetro que o ano passado. A prenda de anos que eu quero que nunca falte é essa possibilidade de os poder correr e a felicidade de não os correr sozinho.

Deixa-me ver o tempo para domingo:
http://vitorbaiameteo.pt/tempo/cova-da-beira/

Domingo vai ter mais nuvens do que o anteriormente previsto mas ainda pode aparecer algum Sol. Não há previsão de chuva.

TEMPO COVA DA BEIRA
Previsão alargada


DOMINGO
25/10/2015
12 ºC 22 ºC
Vento fraco de Sueste.
Céu parcialmente nublado.

O dia promete ser bom, e só para não acabar tão rápido como os outros terá 25h em vez das habituais 24. Connects, não é pra todos...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

40.15

E esta  15ª semana de preparação foi assim:

Semana 15 (de 28 de Setembro a 4 de Outubro )
28 Setembro - Descanso
29 Setembro - 7km Corrida 5:14 min/km 0:36:37
30 Setembro 2015 - 10km Corrida 4:27 min/km 0:44:28
1 Outubro 2015 - Descanso
2 Outubro - Descanso 
3 Outubro - 30km Corrida 7:00 min/km 3:30:00
4 Outubro - Descanso

A próxima semana entro numa nova fase:


FASE CINCO
Muito bem! Próxima: Fase Abrandamento e Dia da Prova.
DURAÇÃO DA FASE
2 semanas
DISTÂNCIA TOTAL
130,5km
DATA DE CONCLUSÃO
25 Outubro
PRÓXIMA FASE
Recuperação
Durante a fase de Abrandamento e Dia da Prova irá correr 130,5km em12 corridas corridas.O objectivo da Fase de Abrandamento e Dia da Prova é fazer com que o seu corpo fique nas melhores condições possíveis. Tanto a distância como a intensidade do treino são reduzidas para permitir que o seu corpo recupere e compense. É ainda adicionado um ritmo de treino de prova para que o corpo se habitue ao ritmo necessário no dia da prova.

O dia em que completo os 40 está a chegar. Por antecipação recebi já um presente.

Agora é aprender a funcionar com ele para dar uns descansos à velhinha máquina de guerra casio.

Ainda falta arranjar um nome para o novo gadget...


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

40.13; 40.14

Como esta fase é já a da "simulação da competição", porque está próximo o grande dia, também eu começo a preparar a logística. O percurso está mais ou menos definido, os locais dos abastecimentos também. A fantástica equipa de apoio está preparada.
Faltam agora 4 semanas. Ainda esta não está feita e já começo a pensar na próxima...

Resumo destas duas semanas:

Semana 13 (14 a 20 Setembro)
14 Descanso
15 7km Corrida 5:13 min/km 0:36:29
16 13,5km Corrida 5:08 min/km 1:09:12
17 Descanso
18 7km Corrida 5:10 min/km 0:36:12
19 Descanso
20 Descanso

Semana 14 (21 a 27 Setembro)
21 Descanso
22 7km Corrida 4:57 min/km 0:34:40
23 13km Corrida 5:08 min/km 1:06:50
24 Descanso
25 7km Corrida 4:45 min/km 0:33:14
26 Descanso
27 10km Corrida 6:00 min/km 1:00:00

Esta semana vai começar uma nova etapa nas nossas vidas. A ver se me aguento*