segunda-feira, 26 de julho de 2010

ao lado

Não percebo nada disto, já eu sabia. O Alberto Contador lá ganhou pela 3ª vez a volta a França, afinal a Astana esteve muito bem. O Andy foi mais uma vez segundo (anda a tirar o lugar ao Cadel Evans). O Lance Armstrong, definitivamente e apesar de todos os azares, já está velhinho para discutir estas coisas. O Cadel Evans ainda andou de amarelo, mas uma fractura não o deixou ir mais longe (diz ele, eu digo que ele não estava preparado, fez uma volta a Itália em grande forma e em setembro temos a volta a Espanha e os Campeonatos para o ver outra vez em grande forma), mas mesmo com uma fratura que deve ter doido não abandonou a prova, admiro este desportista. Os Portugueses tiveram bem, o Manuel Cardoso teve azar, para o ano estará lá para dar luta ao Cavendish. Excelente a vitória de etapa do Sérgio Paulinho, única da melhor equipa no tour. Apesar de todas as polémicas (felizmente nenhuma relacionada com doping) este foi o tour mais emocionante dos últimos anos, pelo menos para mim, para o ano há mais.
Agora as atenções vão para o campeonato europeu de atletismo. Quantas medalhas de ouro vamos ganhar? Algumas, espero eu. Tenho os meus palpites, mas como habitualmente saem sempre ao lado (tal e qual os números do euromilhões) é melhor guardá los para mim.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

bebidas desportivas

No próximo mês, na revista Sport Life, a nutricionista Filipa Vicente, vai apresentar um artigo sobre bebidas desportivas. Aqui fica a minha preferência no que toca a bebidas de recuperação. Em doses individuais na quantidade certa de hidratos de carbono e cereais.


Mas este brinde é ao Sérgio Paulinho, o salvador da Radio Shack. E fico à espera de outra vitória Portuguesa no tour deste ano...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

triatlo, maratona e desportista de sofá

Ando com umas ideias triatleticas, mas a coisa está adiada tendo em atenção o preço das binis. Vamos a ver até quando.
Comecei o "aquecimento" para a maratona do Porto (começo a treinar lá para Agosto). Objectivo primeiro estar presente à partida, e este é sempre o mais difícil. Depois acabar bem. Por último o tempo: baixar as 3h30m.
Agora se me dão licença vou ver a volta a França. Está emocionante, se bem que eu não goste de saber que foi devido a quedas e a furos. Desta vez o Lance teve azar. O Cadel tem estado bem, mas só agora na montanha é que se vai ver quem está para ganhar aquilo. Se a etapa correr normal, o Cadel Evans vai vestir a amarela já amanhã. Ou então podia ser o Rui Costa, numa fuga ganhar a etapa. Vamos a ver, estou sempre à espera disso.

sábado, 3 de julho de 2010

le tour

Vai ser uma grande volta. Estão lá todos, com sede uns dos outros.
Os meus favoritos: Sérgio Paulinho (RadioShack), Rui Costa (Caisse dEpargne) e Manuel Cardoso (Footon-Servetto). Os Portugueses pois claro.
O vencedor será da RadioShack ou da SaxoBank. Lance Armstrong ou Andy Schleck são para mim os principais candidatos, mas muita coisa pode acontecer. Depois temos o Alberto Contador e o Cadel Evans que correm (quase) sózinhos.
O ano passado o Cadel esteve muito mal na prova, este ano esteve para não ir, vamos ver o que ele consegue fazer, afinal de contas é ele que leva o arco-íris e além disso tem na equipa o experiente George Hincapie.
Tenho sempre esperança que os Portugueses brilhem: o Sérgio vai estar sempre ao lado de Armstrong, vai ser dificil, agora o Rui e o Manuel Cardoso vou esperar uma vitória de etapa para cada um... no mínimo.
Mas eu não percebo nada disto, para mim é força no pedal e anda para frente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

outras perspectivas

«Nada nos torna tão grandes como uma grande dor» Alfred de Musset

Estou com uma otite média. Mais frequente nas crianças. Os analgésicos deixaram de fazer efeito. Nunca tinha tido uma otite, por isso não tinha bem interiorizado em mim o que são as dores da otite. Fiquei com uma perspectiva nova sobre isso e o que mais me consome o espírito é estas infecções, estas dores, serem mais frequentes nas crianças. Oh Deus...
Também tenho uma nova perspectiva sobre a diminuição da audição. A minha está reduzida drasticamente e além de ouvir pouco os sons que ouço não sei, na maior parte das vezes, de onde vêm. Agora atravessar uma estrada é uma experiência nova, ontem ia sendo atropelado: não o vi!, consequência de uma primeira falha sensitiva: não o ouvi!
Bom fim de semana.
Alguém tem aí um analgésico?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (4)

O percurso continuava na sua maioria por terra com muita gravilha e pedras que me castigavam os pés e os tornozelos. Nesta altura em que escrevo (18JUN), uma semana depois da prova, a única mazela que tenho é uma pequena dor na parte de fora do tornozelo direito. Claro que no dia seguinte à corrida a dor era generalizada, mas o que mais me consumia eram as dores nos pés e tornozelos. Fiz também algumas feridas que nunca me incomodaram: uma assadura entre as virilhas, umas pequenas na barriga por causa do cinto de hidratação, e acima do joelho por causa das coxas elásticas. Tirando isso nada mais. Os pés ficaram doridos mas sem nenhuma bolha, acho que isso se deve à excelência das meias e também das sapatilhas que usei. Apesar de não me terem livrado das dores dos pés e tornozelos, considero que são muito boas, tendo em atenção a diferença de preços entre as que usei as que teriam sido mais indicadas para ali. E não é garantido que outras sapatilhas seis vezes mais caras me fizessem chegar ao fim sem essas dores.
Penúltimo abastecimento. «Paulo, vamos embora, quero fazer abaixo das 13h30m.» “Respiro fundo e lembro-me da força que guardo dentro do meu corpo e espero que ela ouça.” E começo um contra-relógio, a única vez na prova em que me preocupei com o tempo final.
Último abastecimento: o mais rápido de todos.
Último quilómetro: a foto mais aguardada:
“É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos.”
Vamos para a meta. A corrida revigorante dos últimos quilómetros deixaram-me com folga mais que suficiente para acabar abaixo das 13h30m. Quero saborear este quilómetro. Uma filmagem. A conversa final da prova:
- Gostaste? – Perguntei ao meu irmão.
- Gostei, para o ano vou eu correr.
Absorveu toda a emoção da distância.
-Alguma vez pensaste desistir? – Pergunta ele.
- Não, e tu? – Não foi fácil para ele, não estava habituado à bicicleta, e que bicicleta…
- Epá, aos 50 km já estava fartinho. Dos 75 aos 90 foi quando te custou mais, não foi?
- Não consigo dizer quais os quilómetros que me custaram mais.
O último quilómetro está a chegar ao fim. Ao fundo o meu irmão Pedro já acenava. «Já aí vem, conseguiu!». A Lorena nada admirada: «Eu sabia que conseguias. Consegues sempre!» diz isto como se tivesse sido uma corrida à volta da marina de Angra.
Ainda uma recta para ser aplaudido. Provavelmente muitos familiares e amigos de atletas que também estão quase a chegar. Eu também aplaudo: a prova, a organização, os apoiantes. Levanto as mãos em sinal de vitória. O locutor diz o meu nome: Ricardo Baptista, mais algumas palavras em alemão que eu não entendi. Apesar do cansaço, apesar de algumas dores: adorei, foi um espectáculo. Se pudesse se a vida permitisse: para o ano voltava a fazê-los. Uma medalha que o meu irmão Pedro desembrulha e me põe ao pescoço. Ainda tenho de ir buscar o diploma e a t-shirt que diz finalista. Passo pelos balneários e não resisto a um banho de água fria. Regresso a casa para descansar um pouco.
À noite o jantar é no Centro Português de Neuchâtel. Um bife à café paris. Muito bem servido embora que demorado. Enquanto espero pelo jantar vai passando pela memória os 100 km que tinha acabado de fazer. Uma experiência que fica marcada na memória. O Paulo está com vontade de para o ano ser ele a correr. O andar não era o melhor, era o possível. Parecia que tinha alguma deficiência. A levantar e a descer escadas era a pior altura: Ai, ai, ai, ai.
A medalha: oferecia ao meu irmão, acho que ele a mereceu. O facto de não estar habituado a andar de bicicleta e de me ter acompanhado com uma coisa daquelas. Também tinha dores.
Nos dias que seguiram sentia-me um herói. Eu sei que não sou: qualquer um é capaz de uma coisa destas. Sinto-me orgulhoso pelo meu feito. Gosto de ver a reacção das pessoas ao saberem, “100 km?”, e eu cá para mim:
- Até que nem foi muito difícil!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (3)

Kirchberg. Chegamos ao km 56. Aqui a organização fazia chegar sacos de corredores que assim o desejassem. Havia muitos apoiantes que se deslocaram até aqui. Tempo para um pequeno alto. Troquei de camisola, por nenhuma razão especial. Besuntei-me de novo com vaselina nas zonas habituais, de maior fricção, e dando especial atenção à zona que acusava já uma pequena assadura. Troquei as pilhas do GPS. Vesti umas coxas elásticas, nunca tinha corrido com elas, só as usei para recuperação após as corridas mais longas e aí posso dizer que ajuda, elas estavam como que por magia na mochila, achei que era um sinal do além… porque não? Qualquer sinal de desconforto retirava-as. Nunca me foram desconfortáveis, não sei se ajudou alguma coisa, mas voltava a usar.
Estava pronto para partir novamente, entretanto o meu irmão tinha adormecido ali deitado na relva. Deixo-o descansar mais um pouco, afinal ele tinha-se levantado cedo e tinha passado o dia a trabalhar, estava acordado à quase 24 horas. Sento-me na relva e tomo a decisão de partir dali quando tivesse 7 horas de prova, ainda falta uns minutos. Resisto à tentação de me deitar, se adormeço “é o fim da picada”. Ao todo estive parado de 20 a 25 minutos. Aproveito e deixo o frontal na mochila. O dia amanhece. Retomamos a corrida. Logo depois nova separação atleta/ciclista. Fomos informados que ia percorrer separado perto de 20 km, foram só 10.
Sigo por um caminho de terra, um “single trail”, justificação para a separação do atleta e do coach. A corrida na mata, com percursos de terra, é a minha favorita, porém não foi aqui: nesta aventura quase sempre que a corrida se desenvolvia em terra, eu e os meus pés suplicávamos por alcatrão. É que a terra tinha uma espécie de gravilha que não era agradável, além da irregularidade normal destes percursos. Por uns quilómetros o percurso desenrolou-se em terra (da boa, sem gravilha) e no meio de arvoredo cerrado, por causa disso o meu GPS “roubou-me” quase 1Km. A meta agora era reencontrar o meu irmão. Antes de separarmo-nos ele perguntou-me se ia desistir, claro que não, afiancei-lhe. E ele seguiu na sua missão de chegar ao local do reencontro e dormir mais um pouco. Neste percurso passei muitos atletas, no entanto não estava a andar depressa demais, fui sempre num ritmo controlado. Depois de dez quilómetros o reencontro e seguimos de novo em conjunto. Agora o objectivo era chegar aos 90Km para fazer o telefonema e para me irem esperar à meta.
Foi o parcial mais longo. Não digo que foi o que me custou mais porque isto de custar mais ou custar menos é muito relativo em 100 Km. Mas foi o que me deixou mais apreensivo. Sensivelmente do quilómetro 75 ao quilómetro 90 comecei a mijar com muita frequência (desculpem-me o calão, mas a vontade não era de urinar ou mictar… Mictar: parece uma coisa que tem de ser feita com fato e gravata, de preferência sentado para não acertar na tampa. Mijar: pode ser feito em qualquer lado de qualquer maneira). O medo agora era de desidratar. Continuava a transpirar, a urina saia transparente, pelo que não me parecia que estava a entrar num qualquer estado de desidratação ou de hiponatremia. Continuei a beber água sem esperar pela sede. Lembrei-me do que aconteceu ao Fernado A. que teve de abandonar uma prova de 100 km prematuramente. Comecei a procurar sal, lembrei-me dos frutos secos que tinha trazido, mas não tinham sal. Nos abastecimentos ainda dei uns goles numa sopa que o meu irmão me disse que estava salgada, mas pareceu-me intragável e tive receio que me provocasse vómitos. Lambi os braços: salgados. Esperava que isso fosse o suficiente até encontrar algo mais convencional, mas a verdade é que nunca senti sede nem qualquer mau estar, havia só inconveniente de parar de 15 em 15 minutos. E assim como apareceu, desapareceu lá pelo km 90.
Km 90. Altura para telefonar para casa a dizer que daí a uma hora e meia estaria na meta. Queria que estivessem à minha espera.
continua...