quinta-feira, 28 de junho de 2018

OMD200(160+40)

Seia, de 8 a 10 de junho de 2018

Eu queria fazer o relato daquelas horas todas, para memória futura, mas o tempo tem sido escasso. A maior parte dos 175 quilómetros e a maior parte das mais de 37h para percorrer os percurso pela Serra da Estrela e do Açor foram divertidos. 

Num resumo resumido posso dizer que até Loriga a coisa foi como o planeado e muito agradável, depois de Loriga e com a não subida à Torre e consequente não passagem nos trilhos do lado da Serra que melhor conheço, o psicológico cedeu um pouco e começou a não ser tão agradável, com a passagem pela meta e ainda a faltarem 42 km bem medidos a coisa deixou de ter a diversão habitual e arrastei-me até ao final só para não desistir. A tribo cá de casa foi com a intenção de me ver na passagem pela meta, para me darem forças porque perceberam a dureza psicológica de passar pela meta sem ser no final da prova, mas houve alguns problemas e atrasaram-se muito e eu tive que sair para a "voltinha" final porque já estava a ficar com muito frio e a tremer, não fosse dar-se o caso de a força que eles me dariam ficar perdida numa hipotermia. Apesar do contratempo puderam dar-me a força já a caminho de Vila Verde, depois de seguirem a ambulância😃😄😉.

O trilho da "voltinha" era desenxabido, pouco tinha de Serra e para piorar as coisas, estava muito mal marcado. Com a segunda noite e a privação de sono chegaram algumas alucinações, houve duas mais marcantes que agora guardo na memória com ternura. Uma foi a Ana que apareceu no meio do percurso, à minha espera com um sorriso enorme. Tive de me aproximar, apontar bem o frontal e recorrer à lanterna de mão para perceber que era uma rocha. Tinha-a muitas vezes do outro lado do telefone e certamente colada ao computador com a Camila a seguirem-me pelo "track" gps que levava. Uma vez ligou a dizer-me que estava fora do trilho, mas só estava a abastecer na base de Vila Verde. Achei por bem não lhe dizer logo das alucinações. A outra alucinação, a minha filha Maria, deitada a dormir junto ao trilho, como quem foi vencida pelo sono e pelo cansaço de estar à minha espera, luzes apontadas para perceber que eram alguns ramos secos. Houve mais alucinações, a Camila também foi aparecendo, o Leonardo, o Rosty, e mesmo a Ana e a Maria apareceram ainda um par de vezes, mas aquelas duas foram as mais convincentes de uma estranha, estranhíssima realidade.

Cheguei à meta e a minha preocupação foi de ir dormir, que o fiz numa das marquesas de massagens que ali estavam, enquanto esperava a boleia para casa. Antes, ainda pude agradecer ao Pedro Guimarães as tácticas dadas durante a prova.

No geral gostei, teria sido melhor com mais treino e se fosse o percurso com a subida à Torre.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Interrogações


"Porque nenhuma vitória se ganha se se não puder perder. "
Vergílio Ferreira

Daqui a um mês estarei em plena prova, espero eu. Chega o tempo de começar a preparar a prova a outros níveis: psicológico, hidratação, alimentação, reabastecimentos, equipamentos... e há umas grandes dúvidas e grandes interrogações.


Que calçado utilizar?
A ver se as Hi-Tec Badwater Trail Running Shoes chegam a tempo e se me adapto a elas.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Faltam 5 semanas

Os treinos têm sido os possíveis. Claro que gostaria de poder treinar mais, mas são as condições que tenho, que já sabiam que eram assim.
Entretanto, no dia 14 de abril, participei nos Ultra Trilhos da Gardunha, com 50km e 2800m de desnível positivo, como se fosse mais um treino. A coisa não me correu mal, mas também não correu bem... Julguei poder concluir a prova com menos tempo do que o que fiz (9h48m), mas apesar de ter falhado na previsão do tempo final, senti-me bem e forte (mentalmente) mesmo depois de ter dado um estoiro (antes do km 35) que se ouviu em toda a cova da beira.
No dia 25 de abril participei na VI Meia Maratona Alcains-C.Branco e terminei a prova com o tempo de 01h57m36s. Pensei também conseguir terminar a prova com menos tempo, ai uns 10 minutos, mesmo indo a empurrar um "stroller" com a Maria. Apesar de falhar novamente o tempo, gostei das sensações da prova e atribuo a falha da previsão ao sentir as pernas pesadas e cansadas, provavelmente ainda dos 50 kms da Gardunha, e ao tempo soalheiro e quente que se fez sentir naquele dia.
No dia 1 de maio participei na Corrida do 1º de Maio. Uma corrida rápida de 8,5 km, que fiz em 38m.
Agora é continuar a treinar até ao treino longo no dia 19 de maio, vão ser mais 49 Km com 2500m de desnível positivo na prova EGT® Orion Belt. Depois entro na fase de abrandamento para os tais 160k+.
O mais difícil dos 160k+ será acabar dentro do tempo limite.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Faltam 10 semanas

“It’s all to do with the training: you can do a lot if you’re properly trained.”
– Queen Elizabeth II

Os treinos não andam a correr da melhor forma. Assim fico com a sensação de não chegar lá, não haver tempo para chegar lá.
Mas ainda há tempo para corrigir isso. Vamos lá.

Todo o fim é contemporâneo de todo o princípio; só a nossos olhos vem depois. - Agostinho da Silva - Frases

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Agora é que é a sério!

O plano era conseguir ter uma boa base de treino até março para depois entrar nas últimas 12 semanas de preparação específica e conseguir apresentar-me na partida dos 160k+ nas melhores condições. Não está a correr bem, as últimas duas semanas foram muito más, mas vamos reformular e não desanimar com as contrariedades. A idade começa a não ajudar muito e a disponibilidade não é a melhor, mas tenho a confiança que a preparação vai melhorar e agora entrar no planeado.
O plano gizado foi simples: de novembro e até março a ideia era criar uma boa base de treino semanal, aumentar o tempo de treino e de corrida e ver como conseguia adaptar a vida para conseguir correr umas 4 vezes por semana. Depois em março, começar um treino mais específico para os grandes dias (não é grande dia porque certamente que vou demorar quase dois dias a fazer os 160k). Aumentar o desnível, o que não é difícil para quem vive na Covilhã, fazer uns treinos longos em montanha e conseguir juntar um treino de séries a cada 15 dias.
Consegui correr pelo menos três vezes na maioria das semanas, aumentei a resistência e sinto-me bem fisicamente, tirando a dor da ferida no joelho da queda no free trail do Folgosinho. Agora é continuar a correr, estas duas semanas foram para ganhar balanço...

O free trail do Folgosinho fez-me pensar um pouco. Corri descontraidamente e muito à-vontade nas descidas (excepto a última) e nas partes a direito. A subir estava lento, talvez lento demais, com as costas a queixarem-se da falta de treino abdominal. Tomei nota mental para não descurar esse reforço muscular. Na última descida aconteceu o tralho. Fiquei no chão com uma cãibra na perna esquerda e com o joelho a faltar-lhe um bom pedaço de pele. Depois levantei-me e tive vómitos, fiz rapidamente uma repetição mental da queda e certifiquei-me que não tinha batido com a cabeça. Recompus-me e voltei à corrida trilho abaixo. Trilho com muita lama, não demorou muito para escorregar, e quase cair novamente. Foi suficiente para perceber que o divertimento de descer rapidamente por aquele single trail tinha que acabar. Até à meta descontraidamente. Não estava à espera da "sova" que levei. As dores musculares nos seguintes dias não eram poucas, e foi isso que me fez pensar: se em pouco mais de 22 quilómetros fico assim, não chego aos 160. Relativizei: o frio do dia, o ter estado doente a semana anterior, pouco descanso na semana anterior e no dia, tudo contribuiu para isso, mas tomei a nota mental:
33 expressões

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A ver se lá chego!

OMD200(160+40)

Data: 08/06/2018
Local de Partida: Em frente a Câmara de Seia
Horário de Partida: 16 horas
Horário Final: 12 horas do dia 10 de junho
Tempo Limite de Prova: 44 horas
1338RicardoBaptistaIndividualPOR





domingo, 23 de julho de 2017

(2) OMD K70+

O dia da prova começou cedo. A noite foi curta e mal dormida. Já não me lembro muito bem como sai de casa, mas lembro que estive a preparar e a rever a preparação do equipamento até tarde. Aquele nervoso miudinho a comandar. Sabia a dada altura que os atletas do K160+ já andavam pela serra e os do K100+ estariam a sair. Eu preparei a mochila e os alimentos. Preparei também uma possibilidade de abastecimento para a Torre. As horas iam passando e o descanso a ser adiado. Quando finalmente cheguei à cama o sono não quis nada comigo. Mas lá me deixei dormir e lá acordei ao som do despertador, que raramente uso.
A viagem para Seia correu bem, pelo caminho um telefonema de casa: já tinham acordado e estavam a chamar por mim. É uma sensação inexprimível, fantástica. Lembrei-me também que não tinha posto a manta de sobrevivência na mochila e que fazia parte do equipamento obrigatório. Chegamos folgados no tempo para ainda ir beber um café. Depois os últimos preparativos: levantar dorsais, besuntar com protector solar, ajustar o equipamento porque a corrida vai começar.
Já na zona da partida, a poucos segundos de começar, uma pausa no tempo para chamar e cumprimentar o Gomes. Já não o via há 20 anos. Reconheci-o logo. Ele demorou um pouco a reconhecer-me.

Partimos pela hora prevista, os primeiros quilómetros são para aquecer.

Um abastecimento cedo, muito bom, inopinado e não oficial, oferecido pela Casas do Pastor, na Póvoa Velha. Tive oportunidade de beber um café e de comer uns bolinhos e de conversar com aquelas pessoas muito simpáticas e hospitaleiras e de ouvir o Hugo a pedir para me despachar que ainda faltava bastantes quilómetros. Eu ficava ali mais uns tempos mas tive que me pôr ao caminho que era de longe.

Nesta parte do percurso uma nota para o Hugo sobre a resistência mental (eu às vezes penso que percebo muito disto e mando bitatites), isto devido ao comentário de um companheiro que "estava a poupar as forças para as subidas finais": é muito perigoso pensar assim! Neste momento e apesar de ainda estar fresco, não vou a poupar nada, vou a fazer a minha corrida, vou no meu máximo, só não estou na frente da corrida porque efectivamente não tenho "pedalada" para acompanhar os tipos que nos primeiros 100 metros dão logo 500 de avanço. Pensar assim, na poupança das forças, é a maneira mais rápida que um tipo tem de desistir desta prova. Parecendo que não este companheiro já levava uns 50 kms na "cabeça", apesar de levar só uma meia dúzia nas "pernas". Há quem diga que fazer ultras é 10% físico e 90% mental, encontro esta relação de percentagem em muitos casos do desporto, não acredito nesta relação mas o certo é que quando a "cabeça" não quer as "pernas" não dão nem mais um passo...

E lá fomos avançando, pacito a pacito, até ao Sabugueiro e depois do Sabugueiro até ao Vale do Rossim. Sempre dentro do tempo previsto e sem dificuldades acrescidas. Agora é que se ia iniciar a verdadeira prova. Vale do Rossim - Torre seria a primeira grande dificuldade do dia. O calor já me vinha a atormentar quase desde a partida, mas esta é a altura do dia mais quente. Para complicar vamos passar uma zona que não tem sombras, durante bastante tempo não vamos ter abastecimentos, isto quer dizer que os cerca de litro e meio de líquidos que eu levo tem de durar para umas boas horas. Serão uns 17 km e cerca de 933 m de desnível positivo, mais 473 m de desnível negativo. Somando o calor, a altitude e o sol a queimar, estão reunidas as condições para a coisa correr mal. O incentivo seria chegar à Torre e ter uma grande equipa de apoio à espera.

Apesar da dificuldade esperada que foi fazer esta travessia, esta zona é de elevada beleza. Nós passamos pelo curral do Martins e descemos à Nave da Mestra pela fenda da rocha. Este local pede sempre um descanso, um abrir de farnel e comer sem restrições dietéticas. Mas claro, a ocasião não era propícia a isso. Tudo o que fiz foi refrescar-me na ribeira cristalina que lá passa.
Deixo aqui um bom trilho para se passar um excelente dia com amigos, além do Curral do Martins e da Nave da Mestra ainda se passa pela famosa Lagoa dos Conchos, este trilho começa e acaba na Lagoa Comprida. Para que não haja surpresas desagradáveis é sempre bom consultar o tempo aqui no Vitor Baia Meteo e acreditar no que lá está escrito.

Como esperava, fiquei sem água, mas  lá consegui chegar à Torre sem grande sofrimento. Na Torre esperava a melhor equipa de apoio do mundo e arredores, com beijos e abraços e uma felicidade tão grande de me verem que me senti o Rei daquelas terras. Também tinham pepsi fresca, piza, aletria e mais coisas boas que comi com muita satisfação, após ter ido "dar" o número ao controlo no posto da GNR.

(Cont.)