terça-feira, 12 de novembro de 2019

16ª Maratona do Porto


É importante fazer uma crónica desta Maratona do Porto. A maratona não correu conforme o planeamento, mas atendendo às circunstâncias em que decorreu, se calhar posso dizer que não correu assim tão mal. O homem da marreta chegou muito antes daquilo que estava previsto, em vez de chegar já depois dos trinta quilómetros, chegou com três dias de antecedência em forma de gripe. Aquela sensação de ter sido atropelado por um camião? já a tinha desde quinta-feira. Claro que sabia que não ia ser uma maratona como tinha planeado, mas nunca me passou pela cabeça não a correr.

E lá me apresentei à partida. Tomei, com um pequeno-almoço atípico, um aspegic para combater a febre, a dor de cabeça e o mal-estar geral e sai para a corrida. Antes ainda fui beber, numa qualquer pastelaria que estava ali por Matosinhos aberta, um café horrível e fantasticamente caro.

A corrida lá começou e sabendo das minhas limitações optei por não levar o relógio e ir atento aos sinais de esforço do corpo. Com a preocupação de não estar a estorvar ninguém, lá segui no pelotão compacto e num passo que me era confortável, a ver afastar-se rapidamente o pacer das 3h30. A coisa até correu bem até ao quilómetro 15, depois tudo piorou abruptamente, senti a febre voltar e desejei ter uma aspirina para tomar em vez do gel que levava na algibeira para aquela altura, mas não tinha ponderado essa possibilidade, uma aspirina, um aspegic ou outra coisa que o valha ia fazer-me muito mais jeito que todos os géis que levava, pensei nessa altura.
Pelos 20km, ao lado do Fernado
Não foi fácil, mas com muita determinação, ou estupidez como queiram chamar, cheguei ao fim de mai uma maratona, ai com uma hora de atraso para o que tinha treinado. O melhor foi aquela sensação de cruzar a meta com a emoção de ter chegado ao fim, sensações que há muito não sinto ao cruzar a meta.

Ajuda preciosa nos metros finais.
Depois disso já pensei muito nestes acontecimentos. No imediato pareceu-me ter sido uma boa opção correr a maratona, aliás, nem me parecia que houvesse outras opções que não fosse a de correr e a de chegar ao fim. Andamos a treinar durante muito tempo, muitos meses, três meses pelo menos e chega o dia da prova e estamos doentes, é muito frustrante! Apresentarmos-nos à partida é um mínimo que se pode fazer, mas isto não é uma escolha racional, é uma escolha emotiva de um corredor de pelotão que não tem nada a provar, nem patrocinadores a quem dar explicações, nem consequências de não chegar à meta. A única inquietação foi descartada aí pelo km 20, quando uma chamada telefónica deu a informação para a tribo que me esperava na meta: ia demorar muito mais que 4h (a informação inicial era que, como estava doente, talvez 3h45). Visto de um ponto de vista racional, não foi uma boa ideia ter corrido a maratona naquele dia. Mas aceitando uma impossibilidade de decisão racional, haveria sempre a opção de desistir. Só que embalado por um “Aguenta-te Sempre!”, desistir não me ocorreu ao espírito, nem sei como iria fazer. «Ok, eu agora vou desistir!», e depois? Vou a andar até à meta? Deito-me no chão e espero por boleia? Apanho um táxi? Nem levei dinheiro... Por fim esta prova também me fez pensar na vida, claro que todas as maratonas fazem pensar na vida, mas em especial na minha actual relação com as corridas e também com este blog. 
Boas corridas!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

OMD200(160+40)

Seia, de 8 a 10 de junho de 2018

Eu queria fazer o relato daquelas horas todas, para memória futura, mas o tempo tem sido escasso. A maior parte dos 175 quilómetros e a maior parte das mais de 37h para percorrer os percurso pela Serra da Estrela e do Açor foram divertidos. 

Num resumo resumido posso dizer que até Loriga a coisa foi como o planeado e muito agradável, depois de Loriga e com a não subida à Torre e consequente não passagem nos trilhos do lado da Serra que melhor conheço, o psicológico cedeu um pouco e começou a não ser tão agradável, com a passagem pela meta e ainda a faltarem 42 km bem medidos a coisa deixou de ter a diversão habitual e arrastei-me até ao final só para não desistir. A tribo cá de casa foi com a intenção de me ver na passagem pela meta, para me darem forças porque perceberam a dureza psicológica de passar pela meta sem ser no final da prova, mas houve alguns problemas e atrasaram-se muito e eu tive que sair para a "voltinha" final porque já estava a ficar com muito frio e a tremer, não fosse dar-se o caso de a força que eles me dariam ficar perdida numa hipotermia. Apesar do contratempo puderam dar-me a força já a caminho de Vila Verde, depois de seguirem a ambulância😃😄😉.

O trilho da "voltinha" era desenxabido, pouco tinha de Serra e para piorar as coisas, estava muito mal marcado. Com a segunda noite e a privação de sono chegaram algumas alucinações, houve duas mais marcantes que agora guardo na memória com ternura. Uma foi a Ana que apareceu no meio do percurso, à minha espera com um sorriso enorme. Tive de me aproximar, apontar bem o frontal e recorrer à lanterna de mão para perceber que era uma rocha. Tinha-a muitas vezes do outro lado do telefone e certamente colada ao computador com a Camila a seguirem-me pelo "track" gps que levava. Uma vez ligou a dizer-me que estava fora do trilho, mas só estava a abastecer na base de Vila Verde. Achei por bem não lhe dizer logo das alucinações. A outra alucinação, a minha filha Maria, deitada a dormir junto ao trilho, como quem foi vencida pelo sono e pelo cansaço de estar à minha espera, luzes apontadas para perceber que eram alguns ramos secos. Houve mais alucinações, a Camila também foi aparecendo, o Leonardo, o Rosty, e mesmo a Ana e a Maria apareceram ainda um par de vezes, mas aquelas duas foram as mais convincentes de uma estranha, estranhíssima realidade.

Cheguei à meta e a minha preocupação foi de ir dormir, que o fiz numa das marquesas de massagens que ali estavam, enquanto esperava a boleia para casa. Antes, ainda pude agradecer ao Pedro Guimarães as tácticas dadas durante a prova.

No geral gostei, teria sido melhor com mais treino e se fosse o percurso com a subida à Torre.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Interrogações


"Porque nenhuma vitória se ganha se se não puder perder. "
Vergílio Ferreira

Daqui a um mês estarei em plena prova, espero eu. Chega o tempo de começar a preparar a prova a outros níveis: psicológico, hidratação, alimentação, reabastecimentos, equipamentos... e há umas grandes dúvidas e grandes interrogações.


Que calçado utilizar?
A ver se as Hi-Tec Badwater Trail Running Shoes chegam a tempo e se me adapto a elas.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Faltam 5 semanas

Os treinos têm sido os possíveis. Claro que gostaria de poder treinar mais, mas são as condições que tenho, que já sabiam que eram assim.
Entretanto, no dia 14 de abril, participei nos Ultra Trilhos da Gardunha, com 50km e 2800m de desnível positivo, como se fosse mais um treino. A coisa não me correu mal, mas também não correu bem... Julguei poder concluir a prova com menos tempo do que o que fiz (9h48m), mas apesar de ter falhado na previsão do tempo final, senti-me bem e forte (mentalmente) mesmo depois de ter dado um estoiro (antes do km 35) que se ouviu em toda a cova da beira.
No dia 25 de abril participei na VI Meia Maratona Alcains-C.Branco e terminei a prova com o tempo de 01h57m36s. Pensei também conseguir terminar a prova com menos tempo, ai uns 10 minutos, mesmo indo a empurrar um "stroller" com a Maria. Apesar de falhar novamente o tempo, gostei das sensações da prova e atribuo a falha da previsão ao sentir as pernas pesadas e cansadas, provavelmente ainda dos 50 kms da Gardunha, e ao tempo soalheiro e quente que se fez sentir naquele dia.
No dia 1 de maio participei na Corrida do 1º de Maio. Uma corrida rápida de 8,5 km, que fiz em 38m.
Agora é continuar a treinar até ao treino longo no dia 19 de maio, vão ser mais 49 Km com 2500m de desnível positivo na prova EGT® Orion Belt. Depois entro na fase de abrandamento para os tais 160k+.
O mais difícil dos 160k+ será acabar dentro do tempo limite.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Faltam 10 semanas

“It’s all to do with the training: you can do a lot if you’re properly trained.”
– Queen Elizabeth II

Os treinos não andam a correr da melhor forma. Assim fico com a sensação de não chegar lá, não haver tempo para chegar lá.
Mas ainda há tempo para corrigir isso. Vamos lá.

Todo o fim é contemporâneo de todo o princípio; só a nossos olhos vem depois. - Agostinho da Silva - Frases

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Agora é que é a sério!

O plano era conseguir ter uma boa base de treino até março para depois entrar nas últimas 12 semanas de preparação específica e conseguir apresentar-me na partida dos 160k+ nas melhores condições. Não está a correr bem, as últimas duas semanas foram muito más, mas vamos reformular e não desanimar com as contrariedades. A idade começa a não ajudar muito e a disponibilidade não é a melhor, mas tenho a confiança que a preparação vai melhorar e agora entrar no planeado.
O plano gizado foi simples: de novembro e até março a ideia era criar uma boa base de treino semanal, aumentar o tempo de treino e de corrida e ver como conseguia adaptar a vida para conseguir correr umas 4 vezes por semana. Depois em março, começar um treino mais específico para os grandes dias (não é grande dia porque certamente que vou demorar quase dois dias a fazer os 160k). Aumentar o desnível, o que não é difícil para quem vive na Covilhã, fazer uns treinos longos em montanha e conseguir juntar um treino de séries a cada 15 dias.
Consegui correr pelo menos três vezes na maioria das semanas, aumentei a resistência e sinto-me bem fisicamente, tirando a dor da ferida no joelho da queda no free trail do Folgosinho. Agora é continuar a correr, estas duas semanas foram para ganhar balanço...

O free trail do Folgosinho fez-me pensar um pouco. Corri descontraidamente e muito à-vontade nas descidas (excepto a última) e nas partes a direito. A subir estava lento, talvez lento demais, com as costas a queixarem-se da falta de treino abdominal. Tomei nota mental para não descurar esse reforço muscular. Na última descida aconteceu o tralho. Fiquei no chão com uma cãibra na perna esquerda e com o joelho a faltar-lhe um bom pedaço de pele. Depois levantei-me e tive vómitos, fiz rapidamente uma repetição mental da queda e certifiquei-me que não tinha batido com a cabeça. Recompus-me e voltei à corrida trilho abaixo. Trilho com muita lama, não demorou muito para escorregar, e quase cair novamente. Foi suficiente para perceber que o divertimento de descer rapidamente por aquele single trail tinha que acabar. Até à meta descontraidamente. Não estava à espera da "sova" que levei. As dores musculares nos seguintes dias não eram poucas, e foi isso que me fez pensar: se em pouco mais de 22 quilómetros fico assim, não chego aos 160. Relativizei: o frio do dia, o ter estado doente a semana anterior, pouco descanso na semana anterior e no dia, tudo contribuiu para isso, mas tomei a nota mental:
33 expressões

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A ver se lá chego!

OMD200(160+40)

Data: 08/06/2018
Local de Partida: Em frente a Câmara de Seia
Horário de Partida: 16 horas
Horário Final: 12 horas do dia 10 de junho
Tempo Limite de Prova: 44 horas
1338RicardoBaptistaIndividualPOR