sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

bom ano 2011

A nível pessoal e desportivo, desejo que este ano seja para todos o melhor ano de sempre.
Para mim vai começar com mais 20 dias de repouso. Uma tortura...
...ontem vi uma rapariga que não pode fazer uso dos membros inferiores, provavelmente para o resto da vida, e eu a queixar-me de estar vinte dias sem correr... Que desgraçado que eu sou que não sei o bom que tenho e só o mau.
A vida não é fácil e todos temos problemas, os únicos que não têm problemas são os mortos, mas se nos esforçarmos para nos vermos de outra perspectiva, até ficamos envergonhados com a comiseração que tivemos pelo nosso infortúnio.

Uma felicidade plena para 2011.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Afinal não vou participar...

Não vou à Maratona de Lisboa. Tinha essa intenção, mas as corridas não me têm corrido bem. Uma dor no joelho direito fez-me reduzir muito os treinos e teima em não desaparecer. Dois a três dias sem treinos e ela parece que desaparece completamente e inclusive deixa-me correr, não mais que 50 minutos, porque se eu forçar uma hora de corrida ela volta a aparecer. Por isso acho racional não me apresentar à partida da Maratona de Lisboa.
Este ano só me resta deixar recuperar bem o joelho e começar já a pensar nos desafios do próximo ano.
Boas corridas e boa maratona para aqueles que a vão fazer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto

O dia começou cedo. Pequeno-almoço, passava um pouco das 7h, normal mas reforçado; umas sandes mista, café com leite, bolos de chocolate, uma banana.
Ao contrário das outras maratonas que fiz, não estava nada nervoso nem preocupado com o tempo final se ia ou não conseguir chegar aos objectivos, mais: se ia ou não conseguir acabar a prova. Estava assim principalmente por ter parado quase totalmente os treinos nas duas últimas semanas, por razões pessoais. Continuava a alimentar o sonho de baixar as 3h30 mas estava consciente se falhasse, por muito ou por pouco, mais oportunidades viriam. Assim, com este espírito, equipei-me (equipamento e rituais preparados de véspera) e pelas 8h estava em direcção à zona de partida da maratona. Um café, umas voltas por ali para ver e cumprimentar alguns conhecidos e um aquecimento rápido (mais mental que físico).
Na partida, próximo do Rui, do Filipe e do Vitor  esperei o tiro de partida e lá me fiz à estrada. Não consegui seguir no ritmo de ninguém até porque no emaranhado de gente que tinha partido à minha frente havia corredores bem mais lentos que eu e depois porque o principal objectivo era tentar manter o meu ritmo e eles iam para tempos melhores. O primeiro quilómetro foi o mais lento de toda a prova, 5'27'', muito lento para as minhas ambições.
Mas a corrida lá continuou, sem muitos motivos de interesse, nos retornos ia vendo o pessoal conhecido que ia à minha frente e depois o que ia atrás, trocávamos palavras de incentivo e seguíamos em direcção à meta. Levei o mp3 onde ia ouvindo umas músicas, observava a linda paisagem que tem esta maratona e sigo, quase sempre sozinho, no meu ritmo. Por duas vezes distraí-me um pouco e fiz os quilómetros a um ritmo superior a 5 minutos, mas nada que fosse irrecuperável. Estava tudo controladissimo (que não sei muito bem o que isto quer dizer numa maratona).
O meu plano de abastecimentos era muito simples: água, mais água, alguns goles (um copo) de bebida desportiva, figos secos e gel energético tomados alternadamente de meia em meia hora. Na passagem pelo abastecimento dos 20Km comi uma metade de banana porque estava com bom aspecto.
Por volta dos 30 quilómetros comecei a passar por muito atletas, alguns conhecidos, mas eu não queria abrandar a ritmo, sabia que era este o ritmo certo que me levaria aos 35 sem problemas, até aí ia aguentar, depois logo se via o que acontecia. E o inesperado aconteceu-me ao quilómetro 36: fiquei sem mp3, foi-se a bateria, paciência!
Continuei com o mesmo ritmo, agora as coisas já saiam com mais dificuldade, numa luta contra o relógio e pior que isso: contra o vento. Por volta dos 39 quilómetros senti que as 3h30 já não me fugiam, uns incentivos ao Pena e depois a uma banda de música que estava por ali, mais cansada que eu.
Subi a Avenida da Boavista com o meu melhor sorriso, ia conseguir chegar ao encontro marcado a horas.
Cheguei à meta; parei o cronometro: 3h25m24s que demorei a percorrer os 42,195 Km habituais na Maratona do Porto.
As dores habituais pós maratona não foram sentidas com a mesma intensidade com que fui presenteado das outras vezes. Apesar de ter conseguido alcançar os meus objectivos fiquei triste por não poder partilhar este sabor sub 3h30m com o Almeida, com o Paiva e com o Pena.
Pode ser que seja já no próximo dia 5 em Lisboa...
Até lá: boas corridas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Maratona do Porto

Antes de ir já para a maratona vou passar pelas duas semanas antes que ficaram por relatar aqui.

Semana 11 (25OUT-31OUT)
2ª Feira: 35 Km / 2h57m12s
3ª Feira: Nada
4ª Feira: 8,67 Km / 46m29s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 7,52 Km / 40m11s
Sábado: Nada
Domingo: Descanso

Semana 12 (01NOV-07NOV)
2ª Feira: Nada
3ª Feira: Nada
4ª Feira: Nada
5ª Feira: 10,03 Km / 58m58s
6ª Feira: Nada
Sábado: Nada
Domingo: 7ª Maratona do Porto

Estas duas últimas semanas não foram fáceis. A nenhum nível. Independentemente disso estava inscrito na Maratona do Porto e com um objectivo comum a mais uns tantos corredores que era baixar as 3h30m, não podia deixar de estar presente.
Terminei com o meu relógio a marcar as 3h25m24s, dentro do meu objectivo.
Agora esperar pela Maratona de Lisboa para ver se repito a proeza desta vez com mais uns companheiros.
Ainda durante esta semana espero relatar aqui a corrida.
Até lá, boa recuperação.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Resumo da semana 10

Semana 10 (18OUT-24OUT)
2ª Feira: 8,18 Km / 47m26s
3ª Feira: 8,88 Km / 46m28s
4ª Feira: 13,11 Km / 1h01m23s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 7,41 Km / 45m24s
Sábado: 22,63 Km / 2h13m55s 
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 5h34m36s
Distância: 60,21 Km
Peso: 68,8 Kg
Está quase. Já em fase de desaceleração, mais brusca do que o previsto mas as vicissitudes da vida obrigam a isso.
Bons treinos, boas corridas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Faltam 4 semanas

Semana 9 (11OUT-17OUT)
2ª Feira: 12,00 Km / 57m41s
3ª Feira: 11,00 Km / 56m24s
4ª Feira: 16,97 Km / 1h29m28s (Séries 6X1.600)
5ª Feira: 10,03 Km / 50m23s
6ª Feira: 18,00 Km / 1h29m43s
Sábado: Descanso
Domingo: 28,77 Km / 2h22m18s
Total Semanal:
Treinos: 6
Tempo: 8h05m57s
Distância: 96,77 Km
Peso: 69,0 Kg
Esta semana tive uma grande vitória sobre a preguiça. O treino longo de Domingo estava previsto para Sábado de manhã, mas de manhã não estava bem recuperado para o fazer, além disso o tempo não ajudava. A tarde de Sábado não foi melhor: chuva vento, e ansiedade que me levaram a não sair para correr. E no que respeita à corrida o Domingo ia pelo mesmo caminho... mas não foi, com um enorme esforço para me equipar (umas sapatilhas, uns calções e uma camisola. Sei de noivas que demoraram menos tempo a vestir-se e ainda tiveram a ida ao cabeleireiro pelo meio...) e lá sai para a rua a dar os primeiros passinhos... aqueci... depois foi o puro prazer da corrida. Levei o mp3, coisa que já não fazia à uns bons tempos, embalado ao som de Linkin Park, Marlyn Mansoon, Black Eyed Peas, e muitos mais, a corrida foi libertadora. O coração batia mais forte, os problemas ficavam mais pequenos, e a beleza da corrida pura deixava-me em êxtase.
À medida que o tempo passava, ficava ainda mais incentivado pelas boas sensações que tinha, a confiança das sub 3h30 crescia em mim. Contente comigo, contente com este treino, satisfeito com as sensações e com a prestação, chego a casa ao som de "Gonna Fly Now". Paro o cronometro e levanto os braços ao melhor estilo de Rocky Balboa.
Bons treinos, boas corridas.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Faltam 5 semanas...

Semana 8 (04OUT-10OUT)
2ª Feira: 15,0 Km / 1h17m17s
3ª Feira: 15,78 Km / 1h17m48s
4ª Feira: 17,27 Km / 1h37m24s (Séries 2X1.600 + 4X800 + 2X1.600)
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 13,10 Km / 1h02m23s
Sábado: 25,87 Km / 2h30m13s
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 7h45m05s
Distância: 87,02 Km
Peso: 69,3 Kg
O treino de sábado foi mais ou menos assim:

Boas corridas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Resumo da semana 7

Semana 7 (27SET-03OUT)
2ª Feira: 15,10 Km / 1h15m14s
3ª Feira: 17,21 Km / 1h41m24s (séries 8X1000m)
4ª Feira: 10,17 Km / 58m11s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 22,06 Km / 1h58m34s
Sábado: Descanso
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 4
Tempo: 5h53m23s
Distância: 64,54 Km
Peso: 69,7 Kg
Mais uma semana em que não consegui fazer os treinos todos programados. Desde o principio da preparação sabia que o grande desafio era fazer os 5 treinos semanais. O treino de séries foi bom, senti-me muito bem, com menos esforço e melhor recuperação. Vou agora focar-me nos treinos longos que têm tido poucos quilómetros. 
Boas corridas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Resumo da semana 6

Foi uma má semana, nem apetecia fazer o post, mas cá vai:
Semana 6 (20SET-26SET)
2ª Feira: 11,88 Km / 1h02m31s
3ª Feira: Descanso
4ª Feira: 13,33 Km / 58m33s
5ª Feira: 10,95 Km / 1h00m43s
6ª Feira: Descanso
Sábado: 21,97 Km / 2h03m00s
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 4
Tempo: 5h04m47s
Distância: 58,13 Km
Peso: 70,0 Kg
Foi a pior semana desde que comecei a preparação para a maratona do Porto e a semana em que chegaria ao míticos (para mim) 100Km semanais. Fiquei longe do objetivo. Espero que tenha sido a pior semana de todas. Alguma desmotivação aliado com trabalho fazem das suas. Menos dois treinos do que o previsto e alguns encurtados. No entanto este mês tem sido muito bom e já é o segundo melhor mês do ano, só superado pelo mês de Março.
Esta semana já estou novamente com a motivação em alta, a velocidade e o rumo certo em direção ao Porto.
Bons treinos, boas corridas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Resumo da semana 5

Esta semana foi um pouco diferente das antecessoras:
Semana 5 (13SET-19SET)

2ª Feira: 12,77 Km / 58m27s
3ª Feira: 10,56 Km / 48m43s
4ª Feira: 12,29 Km / 1h01m20s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 20,00 Km / 1h36m24s
Sábado: 20,63 Km / 1h58m57s
Domingo: Descanso
Total Semanal:

Treinos: 5
Tempo: 6h23m51s
Distância: 76,25 Km
Peso: 70,0 Kg
Esta semana não houve séries, estava previsto. Os treinos de sexta e sábado é que não tiveram os quilómetros desejados devido a um misto de disposição e disponibilidade. Tentei fazer os treinos mais rápidos e notei um maior cansaço.
Espero que esta semana corra com normalidade e aumente o número de quilómetros (100Km).
Bons treinos, boas corridas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Resumo da semana 4

Aqui fica o resumo da semana.
Semana 4 (06SET-12SET)

2ª Feira: 14,84 Km / 1h12m54s
3ª Feira: 18,35 Km / 1h57m41s (Séries 10X1000m)
4ª Feira: 14,70 Km / 1h23m54s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 21,29 Km / 2h02m42s
Sábado: 20,09 Km / 2h02m40s
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 8h39m51s
Distância: 89,27 Km
Peso: 70,2 Kg
As coisas correm-me bem, pelo menos nas corridas. Não há dores perigosas ou estranhas nem há um cansaço exagerado. Manter a direção e o rumo para fazer uma boa prova no Porto.

Oxalá tudo fosse assim tão fácil.
Bons treinos, boas corridas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

fragilidades do plano de treino

Em primeiro lugar aquilo que eu sigo não é bem um plano de treinos, é mais um guia para treinar. Foi feito com a experiência acumulada pelo que eu notei ao longo do tempo que resultava comigo, pela leitura de muitos artigos e muitos blogs que sigo, e pelas "dicas" da treinadora Paula.
Este meu guia tem, pelo menos, uma falha: Não vou fazer nenhuma prova até à Maratona. Pelo que eu percebo e que observo, deveria ter planeado umas provas treino, que seriam uns testes de forma. Uma prova de 10 Km, uma ou duas Meias-maratona e quem sabe uma prova de 30 Km. Para além de saber mais objetivamente o momento de forma e fazer alguns ajustes nos treinos, fazer provas também serviria para melhor me preparar para o dia da Maratona, i.é., chego ao dia 7 de Novembro com algum nervosismo a mais, que seria esbatido com alguma experiência em fazer provas.
Mas nada disto vai ser motivo para no dia 7 não cruzar a linha de meta antes das 3h30m. As corridas e os treinos têm corrido bem.
Boas corridas. E boa meia de São João das Lapas para todos. Corredores, atletas e organizadores.

domingo, 5 de setembro de 2010

Resumo da semana 3

Estou a apanhar bons ventos nestes meus treinos em direção ao Porto.
Aqui fica o resumo desta semana.
Semana 3 (30AGO-5SET)
2ª Feira: 14,58 Km / 1h10m45s
3ª Feira: 15,33 Km / 1h34m43s (Séries 8X1000m)
4ª Feira: 13,48 Km / 1h16m15s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 22,17 Km / 2h07m37s
Sábado: 23,58 Km / 2h00m56s
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 8h10m16s
Distância: 89,1 Km
Peso: 71,1 Kg
Durante esta preparação não vou "fazer" ginásio por dois motivos: primeiro os exercícios faziam-me aumentar de peso sem ver benefícios disso, além disso o exercício que mais praticava no ginásio era a conversa, o que me deixava com menos tempo para treinar ao ar livre, à mercê da condições climatéricas, e é isso que eu adoro.
Conversar converso no café entre uma bebida de recuperação e um pires de proteínas...
Bons treinos, boas corridas.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Resumo da semana 2

Mais uma semana de treino que passou, aqui fica o resumo dela:
Semana 2 (23-29AGO)
2ª Feira: 18,17 Km / 1h39m06s
3ª Feira: 12,67 Km / 1h13m46s (Séries 6X1000m)
4ª Feira: 12,47 Km / 1h02m35s
5ª Feira: Descanso
6ª Feira: 20,94 Km / 1h51m03s
Sábado: Descanso
Domingo: 18,75 Km / 1h43m28s
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 7h29m58s
Distância: 83,0 Km
Peso: 72,4 Kg
Senti-me bem nos treinos, tanto que na quinta-feira não achei que precisasse de descanso.
No Domingo fiz um treino de trilhos pelo Monte Brasil.
Um auto-retrato no Pico do Zimbreiro, o ponto mais alto do Monte Brasil. À esquerda da foto vê-se a caldeira do Monte Brasil e ao longe, na orla do pedaço de ilha que se vê por cima da minha cabeça está a freguesia piscatória de S. Mateus da Calheta e onde se encontra o melhor restaurante para se comer peixe e marisco.
Boas corridas, bons treinos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Gadgets de corrida - o GPS

Ontem fiz um treino de séries, no estádio João Paulo II, aqui na ilha Terceira, numa pista aferida de 400 m.
Por pura curiosidade, visto que tem dado muito que falar, usei o relógio com GPS para cronometrar as séries, ou (como se diz no Brasil) os tiros.
Fiz séries de 1.000 metros. O lógico era, no final de cada série, o GPS indicar 1 km. Mas não, nunca indicou isso, variou entre os 0,97 e 0,98 Km, na pista 1.
Numa série, para alimentar bem a minha curiosidade e o meu lado de cientista, corri na pista 2, que por volta tem uns metros a mais que a pista 1 e no fim das 2 voltas e meia deve dar os 20 a 30 metros que o GPS me estava a roubar na pista 1. E, a sentença do GPS: 0,96 Km. Ainda me roubou mais metros que na pista 1, apesar de garantidamente ter corrido mais que 1 km.
Os GPS não são infalíveis. Isso já eu sabia e tinha notado. Desde logo, nas instruções do fabricante, vinha a advertência. No terreno já tinha notado que nas curvas (como as da pista de atletismo de 400 m), nos retornos, nas corridas urbanas junto a edifícios, nas matas com bastante arvoredo e nas subidas/descidas com bastante inclinação que o GPS não é fiável.
Alguns aparelhos podem ser melhores que outros e o meu pode ser o pior deles todos.
Como companheiro de treino acho-o fantástico. Um aliado para retirar o melhor das corridas e para me motivar. Às vezes corro sem ele, mas sinto-lhe a falta.
Boas corridas com ou sem GPS.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Resumo da semana 1

Semana 1 (16-22AGO)
2ª Feira: 12,5 Km / 1h04m51s
3ª Feira: 9,3 Km / 1h04m32s
4ª Feira: 12,2 Km / 1h04m20s
5ª Feira: 10,4 Km / 1h05m10s
6ª Feira: Descanso
Sábado: 14,3 Km / 1h21m04s
Domingo: Descanso
Total Semanal:
Treinos: 5
Tempo: 5h39m57s
Distância: 58,9 Km
Peso: 73,5 Kg

Boas corridas, bons treinos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Semana Zero - partida

Começo hoje a preparação para a Maratona do Porto. Este ano vou com o objectivo de baixar as 3h30m e aproximar-me o mais possível das 3h20m. Para isso preparei um plano de treinos feito com o conhecimento que fui adquirindo e com os tipos de treino que percebi que resultam melhor comigo.
Praticamente serão 5 treinos semanais:
- Os treinos de séries, variando o tipo de séries desde os 800m até aos  3.200m, são os mais difíceis de fazer, no entanto noto grande diferença de performance quando os faço. Naturalmente fazem parte do meu plano (e espero que do meu treino) a  partir da 3ª semana, um treino de séries por semana.
- Os treinos longos obrigatoriamente vão fazer parte do plano, com a  distância destes treinos a situar-se entre os 20 e 30Kms, alterando o  tipo de ritmo e de percurso efectuado e num tempo nunca excedendo as 3h de corrida. Vai haver duas excepções, das quais destaco esta: no  dia do meu 35º aniversário um treino com 35Kms para comemorar. A  planificação é de um treino por semana e de duas em duas semanas dois longos em dias seguidos. Serão feitos às sextas à noite e aos sábados de manhã, para diminuir o tempo de recuperação entre eles. Tenho que ter atenção ao aumento da quilometragem e aos ritmos impostos nestes treinos para não ser atacado por nenhuma lesão...
- Os restantes 2-3 treinos serão para rolar, fazendo a tal recuperação activa.

Vão ser 13 semanas de treino duro, sempre sem me esquecer que a minha vida não é isto, e isto (a corrida) é um dos simples prazeres que tenho. Corro porque gosto, corro para me vingar do stress e das tensões, corro para me divertir. Se não for para curtir cada quilómetro: não vale a pena!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

e vai uma

Bronze para João Vieira nos 20 Km marcha.
Repete a façanha de 2006. Demorou mais 39 segundos que o vencedor.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

ao lado

Não percebo nada disto, já eu sabia. O Alberto Contador lá ganhou pela 3ª vez a volta a França, afinal a Astana esteve muito bem. O Andy foi mais uma vez segundo (anda a tirar o lugar ao Cadel Evans). O Lance Armstrong, definitivamente e apesar de todos os azares, já está velhinho para discutir estas coisas. O Cadel Evans ainda andou de amarelo, mas uma fractura não o deixou ir mais longe (diz ele, eu digo que ele não estava preparado, fez uma volta a Itália em grande forma e em setembro temos a volta a Espanha e os Campeonatos para o ver outra vez em grande forma), mas mesmo com uma fratura que deve ter doido não abandonou a prova, admiro este desportista. Os Portugueses tiveram bem, o Manuel Cardoso teve azar, para o ano estará lá para dar luta ao Cavendish. Excelente a vitória de etapa do Sérgio Paulinho, única da melhor equipa no tour. Apesar de todas as polémicas (felizmente nenhuma relacionada com doping) este foi o tour mais emocionante dos últimos anos, pelo menos para mim, para o ano há mais.
Agora as atenções vão para o campeonato europeu de atletismo. Quantas medalhas de ouro vamos ganhar? Algumas, espero eu. Tenho os meus palpites, mas como habitualmente saem sempre ao lado (tal e qual os números do euromilhões) é melhor guardá los para mim.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

bebidas desportivas

No próximo mês, na revista Sport Life, a nutricionista Filipa Vicente, vai apresentar um artigo sobre bebidas desportivas. Aqui fica a minha preferência no que toca a bebidas de recuperação. Em doses individuais na quantidade certa de hidratos de carbono e cereais.


Mas este brinde é ao Sérgio Paulinho, o salvador da Radio Shack. E fico à espera de outra vitória Portuguesa no tour deste ano...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

triatlo, maratona e desportista de sofá

Ando com umas ideias triatleticas, mas a coisa está adiada tendo em atenção o preço das binis. Vamos a ver até quando.
Comecei o "aquecimento" para a maratona do Porto (começo a treinar lá para Agosto). Objectivo primeiro estar presente à partida, e este é sempre o mais difícil. Depois acabar bem. Por último o tempo: baixar as 3h30m.
Agora se me dão licença vou ver a volta a França. Está emocionante, se bem que eu não goste de saber que foi devido a quedas e a furos. Desta vez o Lance teve azar. O Cadel tem estado bem, mas só agora na montanha é que se vai ver quem está para ganhar aquilo. Se a etapa correr normal, o Cadel Evans vai vestir a amarela já amanhã. Ou então podia ser o Rui Costa, numa fuga ganhar a etapa. Vamos a ver, estou sempre à espera disso.

sábado, 3 de julho de 2010

le tour

Vai ser uma grande volta. Estão lá todos, com sede uns dos outros.
Os meus favoritos: Sérgio Paulinho (RadioShack), Rui Costa (Caisse dEpargne) e Manuel Cardoso (Footon-Servetto). Os Portugueses pois claro.
O vencedor será da RadioShack ou da SaxoBank. Lance Armstrong ou Andy Schleck são para mim os principais candidatos, mas muita coisa pode acontecer. Depois temos o Alberto Contador e o Cadel Evans que correm (quase) sózinhos.
O ano passado o Cadel esteve muito mal na prova, este ano esteve para não ir, vamos ver o que ele consegue fazer, afinal de contas é ele que leva o arco-íris e além disso tem na equipa o experiente George Hincapie.
Tenho sempre esperança que os Portugueses brilhem: o Sérgio vai estar sempre ao lado de Armstrong, vai ser dificil, agora o Rui e o Manuel Cardoso vou esperar uma vitória de etapa para cada um... no mínimo.
Mas eu não percebo nada disto, para mim é força no pedal e anda para frente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

outras perspectivas

«Nada nos torna tão grandes como uma grande dor» Alfred de Musset

Estou com uma otite média. Mais frequente nas crianças. Os analgésicos deixaram de fazer efeito. Nunca tinha tido uma otite, por isso não tinha bem interiorizado em mim o que são as dores da otite. Fiquei com uma perspectiva nova sobre isso e o que mais me consome o espírito é estas infecções, estas dores, serem mais frequentes nas crianças. Oh Deus...
Também tenho uma nova perspectiva sobre a diminuição da audição. A minha está reduzida drasticamente e além de ouvir pouco os sons que ouço não sei, na maior parte das vezes, de onde vêm. Agora atravessar uma estrada é uma experiência nova, ontem ia sendo atropelado: não o vi!, consequência de uma primeira falha sensitiva: não o ouvi!
Bom fim de semana.
Alguém tem aí um analgésico?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (4)

O percurso continuava na sua maioria por terra com muita gravilha e pedras que me castigavam os pés e os tornozelos. Nesta altura em que escrevo (18JUN), uma semana depois da prova, a única mazela que tenho é uma pequena dor na parte de fora do tornozelo direito. Claro que no dia seguinte à corrida a dor era generalizada, mas o que mais me consumia eram as dores nos pés e tornozelos. Fiz também algumas feridas que nunca me incomodaram: uma assadura entre as virilhas, umas pequenas na barriga por causa do cinto de hidratação, e acima do joelho por causa das coxas elásticas. Tirando isso nada mais. Os pés ficaram doridos mas sem nenhuma bolha, acho que isso se deve à excelência das meias e também das sapatilhas que usei. Apesar de não me terem livrado das dores dos pés e tornozelos, considero que são muito boas, tendo em atenção a diferença de preços entre as que usei as que teriam sido mais indicadas para ali. E não é garantido que outras sapatilhas seis vezes mais caras me fizessem chegar ao fim sem essas dores.
Penúltimo abastecimento. «Paulo, vamos embora, quero fazer abaixo das 13h30m.» “Respiro fundo e lembro-me da força que guardo dentro do meu corpo e espero que ela ouça.” E começo um contra-relógio, a única vez na prova em que me preocupei com o tempo final.
Último abastecimento: o mais rápido de todos.
Último quilómetro: a foto mais aguardada:
“É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos.”
Vamos para a meta. A corrida revigorante dos últimos quilómetros deixaram-me com folga mais que suficiente para acabar abaixo das 13h30m. Quero saborear este quilómetro. Uma filmagem. A conversa final da prova:
- Gostaste? – Perguntei ao meu irmão.
- Gostei, para o ano vou eu correr.
Absorveu toda a emoção da distância.
-Alguma vez pensaste desistir? – Pergunta ele.
- Não, e tu? – Não foi fácil para ele, não estava habituado à bicicleta, e que bicicleta…
- Epá, aos 50 km já estava fartinho. Dos 75 aos 90 foi quando te custou mais, não foi?
- Não consigo dizer quais os quilómetros que me custaram mais.
O último quilómetro está a chegar ao fim. Ao fundo o meu irmão Pedro já acenava. «Já aí vem, conseguiu!». A Lorena nada admirada: «Eu sabia que conseguias. Consegues sempre!» diz isto como se tivesse sido uma corrida à volta da marina de Angra.
Ainda uma recta para ser aplaudido. Provavelmente muitos familiares e amigos de atletas que também estão quase a chegar. Eu também aplaudo: a prova, a organização, os apoiantes. Levanto as mãos em sinal de vitória. O locutor diz o meu nome: Ricardo Baptista, mais algumas palavras em alemão que eu não entendi. Apesar do cansaço, apesar de algumas dores: adorei, foi um espectáculo. Se pudesse se a vida permitisse: para o ano voltava a fazê-los. Uma medalha que o meu irmão Pedro desembrulha e me põe ao pescoço. Ainda tenho de ir buscar o diploma e a t-shirt que diz finalista. Passo pelos balneários e não resisto a um banho de água fria. Regresso a casa para descansar um pouco.
À noite o jantar é no Centro Português de Neuchâtel. Um bife à café paris. Muito bem servido embora que demorado. Enquanto espero pelo jantar vai passando pela memória os 100 km que tinha acabado de fazer. Uma experiência que fica marcada na memória. O Paulo está com vontade de para o ano ser ele a correr. O andar não era o melhor, era o possível. Parecia que tinha alguma deficiência. A levantar e a descer escadas era a pior altura: Ai, ai, ai, ai.
A medalha: oferecia ao meu irmão, acho que ele a mereceu. O facto de não estar habituado a andar de bicicleta e de me ter acompanhado com uma coisa daquelas. Também tinha dores.
Nos dias que seguiram sentia-me um herói. Eu sei que não sou: qualquer um é capaz de uma coisa destas. Sinto-me orgulhoso pelo meu feito. Gosto de ver a reacção das pessoas ao saberem, “100 km?”, e eu cá para mim:
- Até que nem foi muito difícil!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (3)

Kirchberg. Chegamos ao km 56. Aqui a organização fazia chegar sacos de corredores que assim o desejassem. Havia muitos apoiantes que se deslocaram até aqui. Tempo para um pequeno alto. Troquei de camisola, por nenhuma razão especial. Besuntei-me de novo com vaselina nas zonas habituais, de maior fricção, e dando especial atenção à zona que acusava já uma pequena assadura. Troquei as pilhas do GPS. Vesti umas coxas elásticas, nunca tinha corrido com elas, só as usei para recuperação após as corridas mais longas e aí posso dizer que ajuda, elas estavam como que por magia na mochila, achei que era um sinal do além… porque não? Qualquer sinal de desconforto retirava-as. Nunca me foram desconfortáveis, não sei se ajudou alguma coisa, mas voltava a usar.
Estava pronto para partir novamente, entretanto o meu irmão tinha adormecido ali deitado na relva. Deixo-o descansar mais um pouco, afinal ele tinha-se levantado cedo e tinha passado o dia a trabalhar, estava acordado à quase 24 horas. Sento-me na relva e tomo a decisão de partir dali quando tivesse 7 horas de prova, ainda falta uns minutos. Resisto à tentação de me deitar, se adormeço “é o fim da picada”. Ao todo estive parado de 20 a 25 minutos. Aproveito e deixo o frontal na mochila. O dia amanhece. Retomamos a corrida. Logo depois nova separação atleta/ciclista. Fomos informados que ia percorrer separado perto de 20 km, foram só 10.
Sigo por um caminho de terra, um “single trail”, justificação para a separação do atleta e do coach. A corrida na mata, com percursos de terra, é a minha favorita, porém não foi aqui: nesta aventura quase sempre que a corrida se desenvolvia em terra, eu e os meus pés suplicávamos por alcatrão. É que a terra tinha uma espécie de gravilha que não era agradável, além da irregularidade normal destes percursos. Por uns quilómetros o percurso desenrolou-se em terra (da boa, sem gravilha) e no meio de arvoredo cerrado, por causa disso o meu GPS “roubou-me” quase 1Km. A meta agora era reencontrar o meu irmão. Antes de separarmo-nos ele perguntou-me se ia desistir, claro que não, afiancei-lhe. E ele seguiu na sua missão de chegar ao local do reencontro e dormir mais um pouco. Neste percurso passei muitos atletas, no entanto não estava a andar depressa demais, fui sempre num ritmo controlado. Depois de dez quilómetros o reencontro e seguimos de novo em conjunto. Agora o objectivo era chegar aos 90Km para fazer o telefonema e para me irem esperar à meta.
Foi o parcial mais longo. Não digo que foi o que me custou mais porque isto de custar mais ou custar menos é muito relativo em 100 Km. Mas foi o que me deixou mais apreensivo. Sensivelmente do quilómetro 75 ao quilómetro 90 comecei a mijar com muita frequência (desculpem-me o calão, mas a vontade não era de urinar ou mictar… Mictar: parece uma coisa que tem de ser feita com fato e gravata, de preferência sentado para não acertar na tampa. Mijar: pode ser feito em qualquer lado de qualquer maneira). O medo agora era de desidratar. Continuava a transpirar, a urina saia transparente, pelo que não me parecia que estava a entrar num qualquer estado de desidratação ou de hiponatremia. Continuei a beber água sem esperar pela sede. Lembrei-me do que aconteceu ao Fernado A. que teve de abandonar uma prova de 100 km prematuramente. Comecei a procurar sal, lembrei-me dos frutos secos que tinha trazido, mas não tinham sal. Nos abastecimentos ainda dei uns goles numa sopa que o meu irmão me disse que estava salgada, mas pareceu-me intragável e tive receio que me provocasse vómitos. Lambi os braços: salgados. Esperava que isso fosse o suficiente até encontrar algo mais convencional, mas a verdade é que nunca senti sede nem qualquer mau estar, havia só inconveniente de parar de 15 em 15 minutos. E assim como apareceu, desapareceu lá pelo km 90.
Km 90. Altura para telefonar para casa a dizer que daí a uma hora e meia estaria na meta. Queria que estivessem à minha espera.
continua...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (2)

E eis que numa curva, numa outra localidade (Lyss), esta sem tantos apoiantes, surge o meu irmão montado numa pasteleira. Dorsal: Coach. Seguimos juntos. Foi-me contando as peripécias que passou para arranjar a bicicleta 1h30m depois do tiro de partida e da viagem da partida até ali, porque só ali podíamos ser acompanhados por um ciclista. Primeiro objectivo alcançado. Próximo objectivo: chegar à meta da maratona. Lá fomos numa agradável conversa, pela noite dentro, ainda tentei tirar umas fotos e fazer uns vídeos mas claro que nada ficou bom, tudo muito escuro, não se via nada. Frontal a alumiar a estrada, conversa e mais conversa que era sempre boa para aliviar o peso dos quilómetros. A verdade é que eu ia cansado, com um ritmo mais baixo do que o previsto ia fazendo a comparação com as maratonas já realizadas. Sentia-me em pior forma do que em qualquer uma delas. Apesar disso em nenhuma parte desta ultra me assaltou o espírito a palavra desistir. Inexplicavelmente a minha confiança de que iria terminar a prova nunca ficou abalada. A minha parte psicológica estava fortíssima apesar de achar (cada vez mais) que as dores na região da fossa poplítea direita e que me levaram a parar de correr por completo as duas semanas antes eram dores psicológicas. (eu podia ter dito: dores na parte detrás do joelho, mas como eu andei a pesquisar sobre estas dores e encontrei este termo técnico, achei por bem “enfia-lo” aqui. Recorri outra vez ao livro para saber como se escreve e sei que daqui a algum tempo o nome desta região não me vá soar estranho, se bem que eu já não deva saber de que região se trata: talvez lá para os lados da Rússia…)
Avancemos até à meta da maratona (Oberramsern) que para mim chegava um pouco antes dos 40 kms. De notar que todos os atletas que não estavam a fazer os 100 Kms, levavam um dorsal atrás a informar disso mesmo (maratona, estafeta) e partiram 30 minutos depois e davam mais umas voltas em Bienne. Nos abastecimentos que coincidiam com a meta da maratona livrei-me de algumas coisas que levava comigo, aligeirei a carga, aqui já confiava plenamente na organização e achei que não necessitava de ir tão carregado. Os abastecimentos eram sempre feitos nas calmas, assim: metia a passo e aproximava das bancadas, parava, bebia uns copos de bebida desportiva, comia qualquer coisa, enchia o bidão de água, apanhava um copo de coca-cola, continuava a passo a beber a cola, 50 metros à frente copo no lixo e… voltar a correr.
Passado mais este objectivo seguimos para o próximo: a placa dos 50Km. Mas logo ali à frente muita acção: um telefonema de Portugal (energia pura que só por si já dava para chegar ao fim) e cai um companheiro à minha frente, por pouco não caí por cima dele (ia distraído com o telefonema e era noite escura), mas não foi nada, pergunto: OK? Que é linguagem universal, responde: OK! Levantou-se do chão sem mazelas, e lá continuamos.
A noite estava escura e era alumiada por um monte de frontais, nunca tinha visto isto, pareciam centenas de pirilampos, quando se olhava para trás, que vinham a marcar a estrada por onde tínhamos passado. Ao olhar para a frente não se via muita coisa, uma ou outra luz vermelha que sinalizava algum atleta ou ciclista. Ainda bem que era assim, não tínhamos uma noção do que ainda faltava para correr, para mim o caminho resumia-se a uma dezena de metros que o meu frontal iluminava e tornava visível. Ao olhar para trás percebo o longo caminho que já percorri, percebo também que há pelo menos uma centena de atletas mais atrasados.
Km 50. Uma foto à placa para ficar na memória, não nos passou pela cabeça pousarmos ao lado da placa para a posterioridade, desconfio que mesmo que nos tivesse passado isso pelo espírito o resultado não teria sido bom, era noite e a máquina fotográfica era o telemóvel.
«Já só faltam cinquenta quilómetros. Outros tantos. Metade.» disse o meu coach. Aquilo não me pareceram palavras de incentivo, pareceram-me mais palavras de desânimo. Digo eu: «Não podes pensar assim, porque assim não chegamos lá. Agora faltam dois quilómetros para trocar de equipamento e depois logo se vê. Não podemos pensar nos cinquenta quilómetros que faltam, são muitos quilómetros.»
E rumamos ao abastecimento, que afinal era ao km 56, onde estava previsto eu retocar o equipamento.
continua...

terça-feira, 22 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (1)

Desde logo, desde a partida, vi que não podia ir com o ritmo que tinha planeado, se queria chegar ao fim tinha que fazer as coisas mais calmas. Mas os primeiros quilómetros foram feitos sem me preocupar com isso. As ruas de Bienne estavam cheias de gente a apoiar os atletas (muito diferente de Portugal e eram 22h). havia festa na cidade e eu participava dela, por isso deixei-me levar palas palmas, pelos cumprimentos, pelo entusiasmo geral. Era preciso concentrar-me para não começar muito rápido; bem, concentro-me lá mais para a frente.
A minha prova tinha começado 1 km antes da partida, demorei-me mais tempo a equipar que o normal, muito mais tempo, um nervoso miudinho apoderou-se de mim. Duvidas de última hora sobre as sapatilhas que levar, depois de as ter escolhido há mais de um mês. Prendo o dorsal à camisola com ela vestida ou é melhor antes de vestir? Para que entendam melhor: não sabia o que fazer ao chip de controlo. Se fosse a primeira vez que via uma coisa daquelas… há coisas inexplicáveis e aquelas horas antes foram isso: inexplicáveis. Depois de descalçar e voltar a calças as sapatilhas, lá resolvi descalçá-las novamente para enfiar o chip nos atacadores. Vaselina. Pensos rápidos. Polar ligado e saio do sítio onde me estava a equipar para a partida por volta das 21h55m. 5 minutos antes do tiro. Foi o quilómetro menos um, foi o mais rápido de todos.
Nessa altura ainda não sabia se ia ter a companhia do meu irmão Paulo durante a prova. Ainda não tinha conseguido arranjar uma bicicleta, os telemóveis estavam a funcionar à procura de algum Português emigrante em Bienne que pudesse disponibilizar uma assim em cima da hora, contava com a ajuda do Telmo, emigrante naquelas paragens e que é da minha terrinha (Peso-Covilhã). E este foi o meu primeiro objectivo intermédio: chegar aos 20Km para saber se tinha a bicicleta.
O plano geral era o seguinte: ir a um ritmo, em plano, na bitola dos 6 a 7 min/Km. Água, levava na mão e sempre à disposição para ir bebericando. Nos abastecimentos da organização beber bebidas desportivas. Sólidos de hora a hora compostos por frutos secos, marmelada, bananas e barras energéticas. Não tenho grandes problemas digestivos com as bebidas e a comida, por isso não me preocupei em adaptar às que ia encontrar nos abastecimentos. No entanto, pelo sim pelo não, levava comigo a comida que habitualmente uso (excepto as bananas). Os abastecimentos da organização foram dos melhores que eu já vi, em qualidade, em quantidade e em variedade. Havia coca-cola, bebida que eu aprecio e me cai sempre bem. Só um reparo: não havia umas “mines” no final…
Antes da passagem dos 20Km, na meta da meia-maratona, de novo uma multidão apoiante. Era perto da meia-noite, depois de termos já passado por entre campos cultivados onde só a lua, os frontais e o som das pegadas reinavam, eis de novo uma localidade em festa (Aarberg), o meu deslumbramento era enorme, passamos por uma ponte lindíssima, de madeira e coberta a fazer-me lembrar “as pontes de Madison County”. Tive pena de não ter tirado uma foto naquele sítio.
Um pouco mais à frente a placa que assinalava os 20Km. Pouco mais de 2h de corrida, ia com um super-tempo (o que pode ser mau para uma ultra-maratona) no entanto ainda não tinha havido nenhuma dificuldade maior e os abastecimentos tinham sido rápidos. Havia ainda grande concentração de atletas, o que me fazia, inconscientemente, ir a um ritmo elevado. Faço um ponto da situação: estou muito rápido mas estou com o planeamento de hidratação “em dia”.
continua...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

muito obrigado!

Agradeço a todos aqueles que torceram por mim. Aos que comentarem e me incentivaram. Aos que não comentaram mas que mesmo assim torceram para que eu chegasse ao fim. E principalmente, aqueles que correram comigo.
Não fiz os cem quilómetros sozinho, além do meu irmão Paulo que me acompanhou de pasteleira a maior parte da corrida, senti sempre aquele poder místico, uma coisa inexplicável. Apesar da distância houve pensamentos positivos que chegaram até mim (alguns em forma de sms).
Em nenhuma parte da prova me assaltou a ideia de a não conseguir terminar. Foram 13h19m de cansaço, mas de um prazer e alegria enorme.
Espero publicar aqui o relato da prova para breve.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

faltam 2 dias

Hoje já fui correr 1h. Depois de 9 dias parado. O dia foi passado em turismo, andar muito, pelas ruas de Neuchâtel. As pernas estão "pesadas". Mas não senti nenhuma dor "anormal". Apesar destas pequenas contrariedades estou confiante que chegarei ao fim dos 100 Km.
As previsões metereológicas dão chuva para sexta. Não gosto muito, mas pelo menos refresca...
Numa corrida de 100 Km muita coisa pode acontecer, eu vou continuar com o meu planeamento muito baseado na hidratação e alimentação durante o esforço e num ritmo (em plano) a apontar para as 12h de corrida. Sei que vou ter umas subidas que não são muito longas.
Espero que tudo corra bem, no sábado espero ter óptimas notícias...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

never stop dreaming

Estas últimas semanas deviam ser de descanso activo, mas têm sido de descanso total. Desde segunda-feira que não corro. Apareceu uma dor na parte detrás do joelho direito e às vezes sinto tipo um choque, quando estou sentado, que começa na virilha e vai até meio da perna. Paragem forçada esta que não augura nada de bom. Engraçado que tenho sempre estas lesões antes dos meus desafios. Pode ser psicológico, pode não ser.
Uma coisa que sei é que vai doer. Uma coisa que nunca se sabe é o poder dos nossos sonhos. E eu não vou parar agora de sonhar.
Hoje parto para Lisboa e amanhã para Genebra.

terça-feira, 1 de junho de 2010

dorsal 1016


Todas as provas têm o seu começo. A ultra-maratona para a qual estou inscrito começou no dia em que li a crónica do Luís Pires “Já lá moras! T’ás fodido!”. Apontei baterias para aí, queria fazer uma prova na Suíça, onde os meus irmão estão emigrados, esta é mesmo lá ao pé... 51ª edição dos 100 km de Bienne. A 10 dias da prova está tudo encaminhado.
O treino deste último mês esteve longe de ser bom, espero que tenha sido o suficiente. Para uma prova desta distância e para um atleta do meu gabarito, o primeiro objectivo é terminá-la. Vou correr, enquanto houver forças, para as 12h. É um tempo engraçado: meio-dia a correr.
A mente está em grande forma para a ultra, só espero que as pernas não atrapalhem muito.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Daptista - O melhor atleta do mundo

O facto de eu não me encontrar na lista de inscritos...


assim está melhor:

só me falta o dorsal...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

encontro de blogueiros

Em primeiro quero realçar o empenho e dedicação do Joaquim Adelino e do Fernando Andrade e agradecer-lhes este maravilhoso convívio.

Estou em sintonia com o José Alberto, não fiz esta peregrinação toda para ir correr meia-maratona na areia, nem tampouco para ir comer uma mista grelhada; fiz esta viagem para sentir o poder do abraço. Senti-o, estou satisfeito e ficou muito acima das expectativas. Faria muitas mais viagens destas se pudesse. (Era já o próximo fim de semana…)

Só uma pequena nota: às vezes parece que os astros, ou lá o que seja, estão contra nós. Este abraço podia não se ter concretizado, mas os mesmos ventos que pareciam soprar de maneira a que não fosse possível este tão esperado reencontro, continuaram a soprar e levaram as nuvens que ofuscavam o céu. Assim o sol pode brilhar.

Agora é esperar pelo próximo e esperar que os astros ou os ventos estejam de feição.

Até lá, aguenta-te sempre!

Fotos 1 e 3 da Isabel e foto 2 do Joaquim Ferreira.

terça-feira, 4 de maio de 2010

meia-maratona dos bravos

No sábado, dia 1 de Maio, participei na XX Meia-Maratona dos Bravos e pela segunda vez comecei por fazer o percurso ao contrário. Precisava de um treino, mais longo que 20 km e comecei por ir da meta à partida a “aquecer”. Quase 1h45m depois de ter começado o treino chego à partida da meia-maratona (que não se devia chamar assim pois só deve ter uns 20km e não os 21.095m regulamentares). Um pouco depois é dado o tiro de partida e eu lá vou com o resto do pessoal, desta vez num esforço menos solitário, no entanto optei por ir sempre num ritmo imposto por mim e não no ritmo dos companheiros de pelotão deixando-me ficar para trás por vezes e adiantando-me outras. 1h38m depois chegava à meta com pouco mais de 40Km nas pernas. Um treino muito parecido ao do ano passado.
No fim, o que contou para mim foi o treino de aproximadamente 3h40m e uns 40 Km. Esta semana tenho de fazer outro treino de igual valor, e aumentar um pouco a quilometragem semanal.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

as dificuldades incentivam...

Já o ano passado fiz este treino: transformar a meia-maratona dos bravos numa maratona-treino. A filosofia é simples: partir 2h antes da meta em direcção à partida e esperar chegar lá a tempo de voltar à meta com os concorrentes habituais.
O ano passado este treino correu na perfeição. Este ano a preparação está um pouco diferente: no sábado vou estar mais cansado, é que na sexta-feira ainda tenho previsto um treino de quase 2h em mata (no Monte Brasil), por isso não espero ter a mesma performance do ano passado 1h34m na prova propriamente dita.

Este mês não foi muito famoso em termos de treinos. “Faltei” a três treinos planeados e encurtei meia dúzia de quilómetros dois longões. Por isso vou avaliar com um suficiente o mês, ou seja, fiz apenas o mínimo que eu penso ser necessário para acabar o grande objectivo.

Na segunda-feira deparei-me com a mensagem deixada pelo tartaruga. Tarde para uma corrida... Não nos conhecíamos pessoalmente. Talvez nos voltemos a encontrar na meia da areia, com mais tempo para a conversa.

Boas corridas.

sábado, 17 de abril de 2010

já está feito: catorze oito mil.

Até pareceu uma brincadeira de crianças.
O Português é o 10º homem a conquistar as 14 montanhas acima dos oito mil metros sem recorrer a oxigénio artificial nem a carregadores de altitude.
O homem é uma máquina.

terça-feira, 13 de abril de 2010

cerejeiras em flor

No passado Domingo, aproveitando o facto de me encontrar por terras da beira, e seguindo uma dica do Mota, apresentei-me para correr 10Km do Fundão até às Donas. O dia estava bom, perfeito para a prática, o ambiente ia aquecendo ia metendo conversa com alguns companheiros de corrida e ia cumprimentando outros que conhecia de alguns anos atrás quando corria por estas bandas mais amiúde.

A prova lá começou e por entre subidas e descidas, paralelo e alcatrão lá cheguei às meta com o impressionante tempo de 40’12’’ quando apontava para completar os 10Km propostos pela organização num tempo a rondar os 45 minutos. Primeira observação: espectáculo! Segunda observação: espera lá, não chega aos 10Km, ainda faltam uns 400m…

Apesar desse desfasamento entre o meu polar e o anunciado, foi uma boa prova.

No fim havia umas bifanas para todos: Atletas, Betetistas, Caminheiros, acompanhantes e penetras.

E realmente as cerejeiras são muito lindas em flor.







Apesar de eu gostar mais desta vista:





Todas pra mim….