sexta-feira, 22 de maio de 2015

UTSM 2015 (2)

[Continuação]
 E os quilómetros lá se seguiram com o calor a apertar.
 Subida brutal onde o ânimo escorrega por ali abaixo em direcção contrária e a uma velocidade estonteante. A custo chego a Carreiras. Abasteço de água, como mel, umas bananas. Gostaria que o ânimo subisse como sobe o calor. Agora sei que tenho pela frente a tal calçada romana muito irregular. A distância entre estes PAC's é a menor, pagamos a factura no próximo... São quilómetros intermináveis naquela ladeira romana, sem sombras. O sol carrega sobre os ultras, as pedras da calçada fazem com que os pés comecem a fritar... Mas porque é que eu só troquei de meias e não troquei também de sapatilhas? Sei lá. A motivação é saber que no próximo PAC estão à minha espera.
O Cáfia improvisado.
 PAC 8, Penha de Castelo de Vide. Desta vez sem a descida de rappel da ermida para o abastecimento, perdemos em adrenalina ganhámos em segurança, no final parece-me que o saldo é positivo.
 O apoio foi brutal, com direito a coca-cola fresca... nem queria sair dali. Mas tinha de ser, enfrentar a pior parte do percurso com um calor abrasador. Os pés já estavam uma desgraça. Faço prognósticos de chegada ao próximo ponto e percebo com estupefacção que o telemóvel está uma hora adiantado. Como é que isto aconteceu? Deve ter sido do roaming e o telemóvel a pensar que estava a fazer uma viajem até terras espanholas, actualizou automaticamente as horas e depois não voltou a actualizar para a hora portuguesa. É a única explicação que encontro e faz sentido para mim.
 Esta é a pior parte do percurso: mais monótona, distância mais longa entre dois PAC's, principalmente por estradões e onde o sol e o calor se fazem sentir ainda mais. Sem sombras por onde seguir, este segmento parece que nunca mais acaba...
 Já farto desta parte chegamos à fonte, não é um PAC mas há por aqui água fresca... só vamos com 84 km... ainda faltam 6... Algum tempo mais tarde, mais farto ainda desta parte do percurso, pergunto a um companheiro a distância que o seu relógio marca: 86 km. 86? f*d*ss* ainda só andei 2... e continuei, não tinha outra solução...
 Por volta dos 89km:
 A cerca de 1 km do Convento de Provença aconteceu o estoiro. Apanhei uma marretada daquelas. Um gel para ver o que se pode recuperar. Descida para o convento. A passo, devagar e devagarinho. Os pés já estavam cozidos e fritos. Convento. Oportunidade de recuperar forças.
PAC9. Umas braçadas na piscina. Tão bom!
 Uma sombra. A melhor companhia de sempre. Descalço as sapatilhas e as meias, tenho que tratar das bolhas, mas antes atiro-me à piscina. Brutal. Refrescante. Revitalizante. E é óptimo. Umas braçadas, e ganho uma nova alma. Mais uma coca-cola fresca. Trato as bolhas, não muito bem tratadas porque rapidamente voltaram a ficar cheias de liquido, e volto a vestir a camisola, a equipar-me para me fazer à estrada. É preciso continuar que eu ainda sou de longe. Duas fatias de pizza com bata frita e vamos embora.
 Grosso modo falta uma subida. Mas uma subida que me leva logo as reservas todas no principio dela. Penosamente subo e desço até à senhora da Penha. Água fresca. Desço as escadas sem problemas, até com muita vitalidade, a descer as escadas os pés não me doíam...
 
Falta uma voltinha...
Faltam 5 km.
 Há que continuar, um pouco mais lento. Problemas técnicos na meta, ainda não estão preparados para me receberem e é claro que eu aguento um pouco mais pelo caminho, quero passar a meta acompanhado.
 Faltam 2 km.
 Afinal faltam 3 km.
 Telefona-me o Filipe a perguntar como estou, quase a acabar e com umas duas horas a menos em relação ao ano passado. É do treino que segui estas últimas 12 semanas, feito na base do descanso.
 Agora é que faltam 2 kms.
 «Quer água?»
 «Não, ainda tenho aqui alguma, se me faltar até à meta, vou o resto do caminho a pé.»
 Falta 1 km.
 Demoro ainda mais um pouco a tentar uma selfie com a placa... Podiam ter feito uma placa mais alta, mais fácil para tirar a tal selfie, e com mais informações... é que este último quilómetro é para reflexão, introspecção e entrar em meditação profunda.
"É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos." Jorge Branco
 Estádio dos assentos. A trupe à minha espera.
 Passar pela quarta vez a meta do UTSM.
 Fantástico!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

UTSM 2015 (1)

 Depois de ter terminado as 4 edições já há poucas coisas que eu posso escrever sobre o UTSM.
 Gosto de voltar a Portalegre porque sou bem recebido e mesmo com o grande aumento de corredores continuam a saber receber bem. Apesar disso houve dois pormenores que não gostei tanto.
 Mas vamos à corrida. Como tinha por base um treino mínimo, para conseguir os objectivos de terminar a prova, tinha engendrado um plano de ataque que me levaria à meta com umas 19h30m. O plano que recuperei do ano passado.
 Não tenho relógio de pulso, por isso teria de controlar o tempo pelo relógio do telemóvel. Ora, levei um telemóvel  comigo, além de ser obrigatário dava-me a possibilidade de enviar sms à medida que evoluísse na prova. Só que não estava muito familiarizado com este aparelho...
 A coisa ia a correr bem, dentro do tempo de passagem no primeiro PAC, dentro do tempo de passagem no segundo PAC (o da boleima), deu para enviar os sms pretendidos... até que...
 Recebi dois sms na subida para o terceiro PAC (o das antenas, aquele lá no cimo) a falar qualquer coisa sobre roaming e tal e os custos. Não prestei atenção, mas mal eliminei as mensagens houve uma coisa que me fez começar a mexer os pés mais rápido: estava atrasado em relação ao horário previsto.
Apanhado pela objectiva da Paula Fonseca quase a chegar ao PAC5.
 Dei corda às sapatilhas, encurtei ao máximo o tempo de permanência no PAC 3 (só deu tempo para abastecer de água, comer duas fatias de bolo de chocolate e ainda trocar as pilhas do frontal) depois na descida deixei-me ir com toda a velocidade e no PAC 4 já consegui entrar no timing, aqui tive que tratar do 2º dedo do pé esquerdo.
 O sol começa a nascer e com ele o imenso pó que se fez sentir a noite toda começa a amainar. É altura de mudar de caracterização: passo da boca tapada com o "buff" para evitar o pó, para a cafia que me irá proteger do sol durante o dia quente que se aproxima.
 Duas bifanas aqui para a mesa 4 faxfavor. Estava no PAC 5. Deveria ser quase 9 horas... Pelos meus cálculos...
 Próximo objectivo: conquista do Castelo. Já sei como é, o impacto não é o mesmo aquando da primeira vez. Apesar de continuar igualmente duro, não é tão difícil. Já sei ao que vou e o que me espera.
 Castelo conquistado pelas portas falsas. PAC 6. Troco de meias, como uma malga de sopa e mais qualquer coisa e siga que se faz tarde...

[Continua]

sexta-feira, 15 de maio de 2015

São Mamede em contagem decrescente


Daqui a 24 horas estarei, em principio, a partir para os 100 kms de S. Mamede.
Levo comigo o sonho de terminar a prova com aplausos de uns espectadores especiais*. Levo comigo alguma apreensão pelo enorme erro do fim de semana passado: tenho feridas nos pés e nas costas; dores na coxa direita e nos ombros; os tornozelos fazem mostrar o desagrado do erro.Levo comigo também uma enorme vontade de me divertir, de ultrapassar as dificuldades à medida que elas aparecem, e de dar luta. A táctica utilizada é a mesma do ano passado, o tempo previsto são as 19h30.
Vamos lá ver se me aguento.
Vou agora fazer o último treino: 7 kms @ 5:30 min/km.

*459

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Os conselhos de Mafalda

«Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.» -oráculo de Delfos


* Por vezes perdemos-nos na imensidão de nós próprios.
* Por vezes olhamos no espelho e não nos reconhecemos.
* Por vezes não gostamos do que somos realmente.
É preciso diariamente fazer turismo dentro de nós próprios para olhar olhos nos olhos e ver que há algo que não gostamos. É condição necessária para melhorar. Por vezes só melhoramos com ajuda.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Às vezes não sei porque o faço, mas tá-bem...

E este domingo lá fui fazer o ULTRA TRAIL –ALCAINS 2015 (UTA15).
Não devia ter ido, por vários motivos importantes e mais um: o facto de ser poucos dias antes do UTSM. Mas inscrevi-me, por um impulso irreflectido, e lá o fiz. Mas aquilo correu mal, muito mal, pelo menos a nível da organização.


Podia falar da péssima sinalização do percurso, ou dos fraquinhos abastecimentos, ou do regulamento (que obrigava a frontal, com pilhas de substituição para uma prova diurna... e que prometia prémios aos vencedores...), ou do facto de ver classificado à minha frente atletas que não me recordo de me terem ultrapassado... mas não quero falar das coisas que correram mal, porque não tenho tempo e o blog não é para isto, só quero dizer uma coisa: a organização tem de melhorar muito, e quando digo muito quero dizer tudo.

O melhor da prova foi o mergulho que dei na barragem da Marateca, a água estava mesmo boa, ficava ali a tarde toda...

Mas agora preciso de recuperar rapidamente para sábado. Estou convencido que foi um grande erro ter ido a esta prova, espero não o "pagar" muito caro.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Correr

Correr é tudo isto que o Jorge Branco diz aqui. Correr é um encontro com a alteridade de nós próprios, correr é uma busca insana no melhoramento do eu. Correr é a minha meditação, a minha oração.
Qual é o objectivo de correr? Nenhum, apenas quero continuar a correr. Não tenho outra finalidade além da de continuar a correr enquanto puder. Corro para viver. Não posso viver de outra maneira. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Meia-maratona 2

No dia 25 de Abril houve mais uma meia-maratona, desta vez a começar em Alcains e a terminar em Castelo-Branco.

Arranquei, sem relógio (na verdade não sei do meu velhinho casio desde a meia-maratona de Belmonte), mas com   E fui num passo confortável até aos 5km. Perguntei o tempo a um companheiro: passava dos 23 minutos. Nada mau, bem melhor que a semana passada. Depois imprimi um ritmo um ponto acima do passo confortável, é que o percurso era sempre a subir, uma subida ligeira é certo, mas que começava a moer os sentimentos de um tipo que acha por princípio que aquilo não tem inclinação suficiente para ser chamada de subida. E assim fui até à meta para a "cortar" com 01h39m06s.

Agora o que queria era que o meu casio aparecesse, vou precisar dele para saber as horas. Num dia de loucura inscrevi-me para o Ultra-Trail em Alcains. Serão 45 Km pela serra da Gardunha, (e agora a loucura) cinco dias antes do Ultra-Trail de S. Mamede...
Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo. -oráculo de Delfos
A ver se me aguento, se fizesse os 160 kms do OMD ficaria bem pior...

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