sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ultra-Trail Aldeias do Xisto

"De repente, fugir tornou-se uma dignidade. Já ninguém aguenta uma derrota. A persistência; a determinação e, sobretudo, a bendita paciência são hoje qualidades desprezíveis. Aguentar e esperar pela próxima oportunidade consideram-se teimosias gananciosas; arrogâncias; estupidezes."
Miguel Esteves Cardoso

Desta vez consegui terminar o UTAX. O ano passado tinha ficado aquele gosto amargado de ter abandonado aos 60 e poucos quilómetros com as pernas a dizerem-me que tinha a possibilidade de fazerem outros 60, mas o corpo fresco demais para as acompanhar: gelado com a chuva, o frio e o vento que se fez sentir naquele dia. A presença este ano na partida deveu-se a isso, a Serra da Lousã tinha-me vencido e eu queria a desforra. As coisas nem sempre são como nós queremos e para esta desforra não me apresentei na melhor forma, por isso ia nervoso e pouco confiante. Confiança que surgiu quando disseram que o percurso tinha sido reduzido uma dúzia de quilómetros, devido ao mau tempo, e porque me parecia que apesar da chuva que caía a cântaros, o frio não se iria fazer sentir. O que eu queria mesmo era que não se conjugasse frio com chuva.
A prova correu num ambiente lindíssimo, com trilhos espectaculares e por aldeias paradas no tempo. Trilhos que recordava do ano passado. Fui-me sentido sempre bem, sempre cauteloso porque sabia da minha preparação, sempre a ouvir os sinais do corpo. Desde cedo percebi que estes trilhos estavam marcado assim para o deficiente, passada meia hora e já estavam quase todos perdidos... Não me recordo de no ano passado ter tido problemas com a marcação, pelo menos não como este ano. A marcação estava muito mal feita, e se algumas fitas não se viam devido ao mau tempo que se fez sentir de véspera, não é justificação para tudo. Se o observatório da corrida ainda fizesse inquéritos, daria uma rotunda negativa a este item.
Negativo foram também os abastecimentos, nem quero comentar.
E no fim da corrida: banhos frios?
Houve realmente muitas falhas a assinalar que não são desculpáveis tendo em atenção o preço que pagamos de inscrição e comparando-o com outras provas. Parece-me que o que mais falta à organização é terem alguns corredores a pensar estas coisas.
Só mais um apontamento no que toca à entrega dos dorsais: é ridículo. Mostrar a mochila o dia antes? Eu até podia mostrar uma que não fosse usar na corrida. E se calhar houve quem tenha feito isso. No dia da corrida, durante a corrida, nenhum controlo.
Cortar a meta foi por demais espectacular.  Bem-haja Anchulá, Margarida e Filipe.
Fico agora à espera do prémio finisher...

domingo, 13 de outubro de 2013

VAMOS LÁ?

"Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos." René Descartes

Afinal o que é isto do Aguenta-te Sempre?
Pretendia ser um blogue pessoal acerca das corridas e uma motivação extra para os desafios a que me propunha. Aos poucos fui deixando a escrita do blogue por razões diversas, sendo a principal o facto do motivo principal ter deixado de existir. Contudo sinto a falta deste incentivo, deste segundo motivo que se foi criando e ocupando o espaço. Pretendia voltar a uma escrita mais regular deste blogue, mas o tempo é pouco para todas as actividades que me proponho. Para escrever um post neste blogue, tenho que ler no mínimo uns cinquenta noutros blogues de corrida; além disso o que posso eu escrever aqui?
Aparentemente nada há que eu possa dizer: deixei de usar relógio e GPS, por isso não posso (como já fiz) deixar aqui os dados dos meus treinos; além disso corro sempre como me apetece e sem planos de treino, por vezes mais rápido outras mais lento, umas vezes a subir e depois a descer, não raras vezes vou a passo e chego mesmo a parar só para observar, para ver, para falar. Portanto não posso ser nenhum modelo de treinos a ser seguido.
Não costumo ir a muitas provas, e às que vou não é à procura de um tempo, de um recorde, contento-me com o chegar ao fim. As provas nunca me correm mal: é sempre uma alegria; algumas correm melhores do que outras e isso tem mais a ver com a companhia, com os companheiros que encontro, com as conversas, com o convívio que acontece, do que com o tempo final.
Sempre pratiquei a corrida em particular e o desporto em geral, não foi um motivo para deixar o sofá, para deixar de fumar ou para emagrecer. Não sou inspirador a esse ponto. Por isto tudo parece-me que o que eu possa dizer não deve interessar a muita gente e talvez a quem poderá interessar tenho a possibilidade de o contar verbalmente.
Acontece que estou a pensar, para o ano, dar um passo mais largo nas minhas corridas. E daí voltar a pensar no blogue para uma ajuda à auto-motivação. Nunca o conseguirei fazer sozinho, preciso de motivação exterior quando a interior me começar a faltar. Fazer 160 Km na montanha é o desafio. Atendendo à falta de tempo que sempre haverá, a todas as coisas que é preciso não deixar para trás e são prioritárias. Reflectir isto tudo e depois tomar uma decisão. Qualquer que seja a decisão, vens comigo Anchulá?