terça-feira, 22 de junho de 2010

100Km de Biel/Bienne (1)

Desde logo, desde a partida, vi que não podia ir com o ritmo que tinha planeado, se queria chegar ao fim tinha que fazer as coisas mais calmas. Mas os primeiros quilómetros foram feitos sem me preocupar com isso. As ruas de Bienne estavam cheias de gente a apoiar os atletas (muito diferente de Portugal e eram 22h). havia festa na cidade e eu participava dela, por isso deixei-me levar palas palmas, pelos cumprimentos, pelo entusiasmo geral. Era preciso concentrar-me para não começar muito rápido; bem, concentro-me lá mais para a frente.
A minha prova tinha começado 1 km antes da partida, demorei-me mais tempo a equipar que o normal, muito mais tempo, um nervoso miudinho apoderou-se de mim. Duvidas de última hora sobre as sapatilhas que levar, depois de as ter escolhido há mais de um mês. Prendo o dorsal à camisola com ela vestida ou é melhor antes de vestir? Para que entendam melhor: não sabia o que fazer ao chip de controlo. Se fosse a primeira vez que via uma coisa daquelas… há coisas inexplicáveis e aquelas horas antes foram isso: inexplicáveis. Depois de descalçar e voltar a calças as sapatilhas, lá resolvi descalçá-las novamente para enfiar o chip nos atacadores. Vaselina. Pensos rápidos. Polar ligado e saio do sítio onde me estava a equipar para a partida por volta das 21h55m. 5 minutos antes do tiro. Foi o quilómetro menos um, foi o mais rápido de todos.
Nessa altura ainda não sabia se ia ter a companhia do meu irmão Paulo durante a prova. Ainda não tinha conseguido arranjar uma bicicleta, os telemóveis estavam a funcionar à procura de algum Português emigrante em Bienne que pudesse disponibilizar uma assim em cima da hora, contava com a ajuda do Telmo, emigrante naquelas paragens e que é da minha terrinha (Peso-Covilhã). E este foi o meu primeiro objectivo intermédio: chegar aos 20Km para saber se tinha a bicicleta.
O plano geral era o seguinte: ir a um ritmo, em plano, na bitola dos 6 a 7 min/Km. Água, levava na mão e sempre à disposição para ir bebericando. Nos abastecimentos da organização beber bebidas desportivas. Sólidos de hora a hora compostos por frutos secos, marmelada, bananas e barras energéticas. Não tenho grandes problemas digestivos com as bebidas e a comida, por isso não me preocupei em adaptar às que ia encontrar nos abastecimentos. No entanto, pelo sim pelo não, levava comigo a comida que habitualmente uso (excepto as bananas). Os abastecimentos da organização foram dos melhores que eu já vi, em qualidade, em quantidade e em variedade. Havia coca-cola, bebida que eu aprecio e me cai sempre bem. Só um reparo: não havia umas “mines” no final…
Antes da passagem dos 20Km, na meta da meia-maratona, de novo uma multidão apoiante. Era perto da meia-noite, depois de termos já passado por entre campos cultivados onde só a lua, os frontais e o som das pegadas reinavam, eis de novo uma localidade em festa (Aarberg), o meu deslumbramento era enorme, passamos por uma ponte lindíssima, de madeira e coberta a fazer-me lembrar “as pontes de Madison County”. Tive pena de não ter tirado uma foto naquele sítio.
Um pouco mais à frente a placa que assinalava os 20Km. Pouco mais de 2h de corrida, ia com um super-tempo (o que pode ser mau para uma ultra-maratona) no entanto ainda não tinha havido nenhuma dificuldade maior e os abastecimentos tinham sido rápidos. Havia ainda grande concentração de atletas, o que me fazia, inconscientemente, ir a um ritmo elevado. Faço um ponto da situação: estou muito rápido mas estou com o planeamento de hidratação “em dia”.
continua...