terça-feira, 29 de maio de 2012

(3) ULTRA-TRAIL DA SERRA DE SÃO MAMEDE

Do PAC9 informam que se tinham enganado e o dorsal X já tinha passado. Pelas minhas contas, mais 10-15 minutos e o Joaquim está ai. Boa. Vou até à meta que está mais um atleta a chegar com algumas dificuldades. Entretanto a Ana também chegou e digo-lhe como estão a correr as coisas: «O Joaquim deve estar a chegar.»  Vamos até à barraquinha dos cafés para beber mais um. Daqui vejo ao fundo mais um corredor a chegar. Reconheço.
«Força Joaquim, conseguiste!»
O corpo pende um pouco para o lado esquerdo. Não paro de o incentivar. Estou eu próprio contente e orgulhoso de conhecer este homem, paraquedista, que já ultrapassou os 60 anos de idade e pela primeira vez está neste desafio de correr os 100 Kms e logo nesta corrida de montanha dura que se farta. E vai conseguir.
Fui com ele, corri novamente os últimos 400 metros, não era suposto mas a emoção fez-me agir assim. Ia ao lado do Joaquim a fazer a festa, deitando os foguetes e apanhando as canas. O Joaquim ainda não estava consciente do que estava prestes a conseguir. Recta da meta, adianto-me um pouco para tirar uma foto com o telemóvel, que como era de noite não ficou muito bem. Aplausos, indico ao Joaquim a mesa das batatas fritas, para comer e se hidratar, aproveito para comer mais algumas, as massagens e os banhos, mas o que o Joaquim queria era ir deitar-se.
Grande Joaquim, novamente dirijo-lhe os meus parabéns. 
Vou à procura da Ana para irmos jantar, na companhia da Paula e da família Almeida, um jantar muito bom. Boa companhia e a comida estava excelente.
Depois voltamos para a meta, ainda queria ver o Melo chegar.
O Melo vinha com um pequeno problema no joelho e ainda não tinha chegado ao PAC9, estava na descida anterior.
Ainda vejo a chegada da Analice, grande atleta e mulher de fibra, deu para rir um pouco, depois do nervosismo que tinha sido os últimos 20 minutos.
Chego à conclusão que não vai ser possível esperar pelo Melo. Estou cansado, a Ana também está cansada, ainda temos uma viagem para fazer e compromissos para cumprir na manhã de domingo.
Lanço boas vibrações para o Melo, sei que ele vai conseguir. E conseguiu. Grande capacidade de sofrimento que aquele Mariense tem.
Inicio a viagem de regresso, pelo caminho vou recordando os momentos da prova.
A passagem por Alegrete, ainda de noite, mas que deu para perceber que é uma Freguesia muito bonita, ainda hei-de lá passar outro dia, com mais calma para olhar tudo muito bem e sentir a sua história.
A passagem pela barragem e pelo pescador que lá no meio flutuava no seu banco/barco.
Os cavalos lindos e a placa de boas vindas ao Gavião. Que bem que soube ler aquilo.
Foto de Isabel Almeida
A subida para o Castelo de Marvão, e quando pensava que era o assalto final, nova descida para recomeçar tudo de novo. O Castelo e a Vila, maravilhoso. O "pequeno-alto" com direito a namoro e tratamento VIP.
A simpatia das pessoas com quem me cruzei.
O ter conhecido o Zé Maria na descida de Marvão (antes só o conhecia pelos blogs).
O Bóris, cachorro ultra-maratonista que seguramente fez mais de 200Kms.
E tantas outras recordações que ficam na memória geral do UTSM e me fizeram chegar ao fim e dizer: Adorei!
Quanto à organização: não sou especialista para fazer análises, mas para mim estiveram bem. Voltava a repetir. Certamente que haverá aspectos a melhorar, deixo isso para os entendidos na matéria, eu só tenho de agradecer a oportunidade que me deram de poder fazer estes trilhos, o apoio e todo o trabalho que tiveram para "pôr de pé" este UTSM. Bem-haja.
Agradeço também a todas as pessoas com as quais me fui cruzando e me foram incentivando no caminho, em especial às simpáticas Isabel, Paula e Vitória. Bem-haja.
E à minha amiga Ana: fazes-me sentir importante. Bem-haja.
Agora continuo a recuperação, os joelhos ainda se queixam um pouquinho. Até me deu assim uma coisa para ir à Freita, mas se calhar este ano ainda não. Vou é começando a pensar na Lagoa de Óbidos à noite...
Mas até lá, bons trilhos e boas corridas.